Draco Saga

Um dragão e uma história pra contar.

Autor: Fábio Guolo
Revisão: Fabiano Guolo, Valéria de Lurdes do Valle e Gabriela Coirados.
Capa e diagramação: Leandro Bittencourt
Impressão e acabamento: Gráfica Athena

 


Para começar a falar sobre “Draco Saga” acredito que a melhor palavra à utilizar seria “aventura”, aventura em todo o contexto que ela possa abranger.
O livro primeiro livro da saga, trata de religião colocando em dúvida preceitos cristãos principais como Deus e Jesus Cristo, mas também cria vários enlaces referentes à viagens astrais, espíritos e reencarnação.
Outra crítica que está presente nas páginas do livro é a ideia de que os seres humanos são pragas capazes de causar o caos e a destruição, além de não haver respeito ou dignidade entre si.
Mas, Fábio Guolo também buscou um diferencial trazendo como personagem narrador um Dragão, e toda uma sociedade draconiana.
Uma característica interessante é que os personagens sofrem durante o enredo mudanças de personalidade, sejam elas pelas vivências adquiridas ou por fatores mais “mágicos” ou “espirituais” o que torna a leitura mais interessante criando surpresas ao leitor. Muitos desses personagens são bastante carismáticos e bem reais em suas atitudes que permeiam a bravura, a alegria, a ironia, a graça, a brutalidade entre outros, o que corresponde as duas principais raças citadas.
O começo da leitura é um tanto difícil, pois entender a graça e sentimentos de Dragões prepotentes é sempre difícil para quem não está habituado com a leitura, genero ou gosto, mas essa sensação também passa durante as páginas que são viradas a procura do próximo desenlace ou problema a ser averiguado. Uma sacada esperta é que várias vezes os personagens caem em contradição nas suas atitudes, o que caracteriza bem o momento de transformação que estão vivendo.
Um ponto de vista interessante é que Fábio Guolo não se conteve em trazer humanos em feudos europeus, e sim, trouxe mesmo que não profundamente, características de outra etnias como árabes e bárbaros unos, além de romanos e “espartanos”.
Outras criaturas místicas são apenas citadas, e aparecem no livro apenas como referência pois o foco esta realmente nos dragões, que representam a ordem, a disciplina e a praticidade, e do outro lado os humanos que são desvendados o tempo todo, tanto seus defeitos, como suas virtudes.
Os cenários descritos são belos mas restringem-se ao necessário, sem grande definições minuciosas o que de fato poderia travar a leitura dinâmica que a obra propõe.
A violência existente está em uma medida bem funcional. Não há grande derramamentos de sangue e carnifica, mas a cada batalha de pequeno, médio ou grande porte travada o autor não poupou mortes.
Tudo que o autor descreve desde organizações ou modos de se produzir magia, foram embasados em teorias, mesmo sendo fictícias, bastantes firmes e cheias de lógica tornado a obra uma espécie de jogo bem amarrado e com muitas regras.
A arte do livro é bastante interessante pois retrata bem a ideia de uma época passada cheia de poder e que definhou. Tem uma capa bonita e um mimo nas folhas que iniciam cada capítulo.
Os revisores deixaram passar alguns errinhos. Mas nada grave também. (ao menos não que eu me lembre).
Estruturalmente a história tende a ganhar valor conforme tudo se complica e onde os próprios dragões começam a perder suas máscaras e os humanos, mesmo que sejam poucos, começam a ganhar espaço. E do meio para o fim fica mais fácil de se identificar com os personagens de ambos os lados e torcer por eles.
O livro porém, é bastante voltado para quem gosta de aventuras medievais, histórias sobre criaturas místicas e jogadores de RPG (o que por sinal é um público cada vez maior, que consome e merece ter cada vez mais obras para degustar e embalar os jogos).
E por fim, voltamos ao início. Draco Saga é uma história de aventura, de descobertas, de um mundo de fantasia, apesar das críticas presentes no livro, não traz nenhuma grande teoria sobre elas ou afirmações concretas que podem nos levar a questionar a maneira que o mundo se tornou. E apesar de tudo que envolve o mundo mágico da trama, os acontecimentos são muitos simples (entenda simples como algo bom) pois as premissas e os desejos e fúrias são bastante palpáveis, criveis e, porque não dizer, humanos.
Uma leitura descontraída e bem fluida. Com voos horizontais sobre uma terra mágica, e alguns verticais em relação ao ser humano. Draco Saga consegue divertir e em certos momentos emocionar.

Mais informações sobre a primeira obra da saga, onde comprar e mais sobre o autor você encontra no site oficial: dracosaga.com


Comentários

  1. Oi Carol! Muito obrigado pela maravilhosa resenha!

    Poucos blogueiros atreveram-se a fazer uma análise tão minuciosa de meu modesto texto. E tu fizeste muito bem.

    Abraços afetuosos!

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Entrevista na Editora Coerência