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Uma cômoda (e não só uma caixinha) de surpresas

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Ser deficiente física é uma caixinha de surpresas. Melhor dizendo, é uma cômoda, cheia de gavetas com surpresas esperadas, que você sabe que, mais dia, menos dia, serão abertas e irão pular até você, lhe agarrando, mudando seus planos, levando-o a repensar cada passo da sua vida.
Já vi discussões de todo tipo, sobre pessoas que veem em nós, pessoas com deficiência, inspirações de superação e garra para suas lutas, e para mim, tudo bem com isso. Não que eu, ou algum de nós, seja melhor, só que aceito bem esse estigma, no lugar do antigo (e ainda bem usado, infelizmente) que nos coloca no grau de maior tragédia, com frases como: “olha só, como eu (pessoa sem deficiência) estou bem, já pensou se eu tivesse aquela doença ali, igual da Carol.” Sim. Existiu. Existe. É terrível, mas hoje já não me abala. Cansei bastante também de ver/ler, inúmeras vezes, sermos representados como catarse do outro, um expurgo falso para quem tem um corpo totalmente funcional e saudável. Somos usados em filme…