Lázarus

Pense em tudo que já ouviu falar ou leu sobre vampiros. Agora, jogue fora metades dessas informações. Pronto, já podemos conversar sobre Lázarus.

Escrito por Georgette Silen, o livro é uma repescada, uma revigorada e uma visão muito nova sobre o mundo Vampiro.
A capa de longe não chama atenção, mas a imagem da mulher na sacada e a paisagem por trás que se insinua tem um toque especial e de encanto. É como uma fotografia em preto e branco, mas ao invés de branco esta o vermelho. Uma arte simples e de boa escolha. A qualidade do material impresso é boa, páginas meio amareladas apesar de um pouquinho finas, uma diagramação simples, nada não convencional, porém apropriada.

A historia é contada em primeira pessoa o que tem seu lado bom e ruim. O lado bom é que vivemos quase tudo de dentro da cabeça da protagonista, tudo que se vive é mais intimista, assim ela não fala muito de si (a personagem) o que torna difícil medir suas qualidades e encantos, encantos responsáveis por arrasar alguns corações inclusive.
Para que a história não fique incompleta, ora ou outra, outro personagem toma voz e relata suas experiências dando maior amplitude para os fatos. Outro recurso também utilizado pela autora é a repetição de cenas ou momentos contados por mais de uma visão.
E falando sobre tais, a história da vida de Laura quando chega em Bristol até o final do livro, é uma seqüência de fatos, de pequenos e "isolados" acontecimentos: o desafio de um novo emprego em outro país com uma filha adolescente, o retorno de pessoas de seu passado, um novo amor, e a ameaça na cidade de um serial killer que comete assassinatos sem deixar pista, e então, vampiros! Vampiros não convencionais.
Georgette criou classes deles, explicando suas transformações que vão desde uma criação da natureza, até uma anormalidade sanguínea, e inclusive nascença. Outras criaturas como demônios e duendes entram na história ampliando o universo dos sugadores de sangue. E não pense também que a parada em Bristol é derradeira, pois o livro faz viagens para Amsterdã, Irlanda entre alguns outros, alem é claro de conhecer lugares históricos do ponto de vista de uma museóloga, Laura.
Como toda história de vampiro atual e quase toda boa história no geral, há luta pelo poder, ambições, intrigas e disputa de território, mas com humanos por traz.
Todo esse cenário torna-se um pano de fundo para o desenvolvimento da personagem Laura e da relação dela com o vampiro bonitão, Robert (não que ele seja meu personagem favorito rss, porque tem um nórdico albino que é um pedaço. Ok, vou deixar esses paralelos de lado hehe).
Lázarus, a criatura e não o livro, quando surge trás consigo uma sensação no mínimo confusa, de que tudo que Laura viveu é um prefácio do que esta por vir. - quer dizer que devemos aguardar um Lázarus 2? A resposta é, mais que provavelmente “sim”.
O livro da escritora de Caçapava é um grande romance com paixões, ciúmes, interesses, amor de homem e mulher, amor de mãe e de família. Não é um livro cheio de batalhas, torturas ou sexo, tem um pouco de tudo isso, mas esse pareceu não ser seu foco. É mais cotidiano e próximo, mesmo com todas essas criaturas. Ele é cheio de personagens, alguns que aparecem uma única vez, outros que estão sempre, outros que parecem assombrações, surgem inesperadamente. Poderia falar de Cinthia, a filha adolescente, ou dos vampiros Clem, Carlo, e até do belo albino Josh (ok... agora é serio, não faço mais), poderia descrever os humanos Kate, David ou a lindíssima e apaixonante senhorinha Jean, mas então eu passaria de uma resenha para um resumo e não é esse o caso. Acontece que praticamente todas essas histórias e personagens se cruzam de alguma forma por fazerem parte do universo da protagonista e que são, quase todos, bem vivos.

Uma surpresa aguarda o leitor no final, algo talvez nunca pensando, tanto o fato quanto a maneira... Mas que não é lendo essa resenha que você descobrira.

O Livro saiu pela editora Novo Século, e na verdade, em nota, a escritora diz ter mais 3 livros da série. Agora, depois de ler, é só aguardar.

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Entrevista na Editora Coerência