segunda-feira, 18 de julho de 2011

Chantilly

Autora: Mare Soares
Capa: Mare Soares e Guilherme Lima
Revisão: Bianca Briones
Editoração Eletrônica: Junia Camarinha

 
Certos títulos são verdadeiros enigmas a respeito da obra, oferecendo pistas sutis ao mesmo tempo que nos confundem. Assim, antes de apropriamento dito "resenhar" a obra, gostaria de dividir com vocês algumas opiniões e sensações.
"Chantilly", tem um certo ar moderno, aquele típico despojado cheio de estilo e aprofundado em vertentes alternativas. O título somado a capa me lembrou o filme "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain", onde eu ressaltaria as qualidades graça e engenhosidade, junto a uma visão poética e crítica. O bom é que estava certa. "Chantilly" é um livro com todas essas características.


A arte da capa é muito simples e criativa, ela brinca com o próprio nome já que na história não há nenhuma menção ao creme de fato.
Apesar de particularmente não gostar de personagens que se auto-descrevem, o que se encontra nas primeiras páginas do livro, resolvi não me ater em um julgamento nesse início visto ao próprio título do primeiro capitulo: "Chantilly, 17 de outubro de 2020" que muito me intrigou. A história se passa em um futuro próximo, inicialmente, na cidade de mesmo nome na França, e depois segue para outras regiões como Paris e Madri.
O clima. Se existe algo marcante nessa história é a atmosfera que Mare Soares cria. Decadência, grandes vazios pessoais e sociais. Os personagens contribuem com seus atos falhos, seus desvios de personalidade e inseguranças. Não há um personagem que se assemelhe ao outro. Eles são únicos e suas características são fortemente ressaltadas nas suas atitudes e na visão que um faz do outro. Esse tipo de criação é muito interessante pois não é a visão unilateral da autora, e sim intermediada diante a postura do personagem perante os demais, o que os enriquece.
Um mistério é o ponto de nascimento do enredo, mas não é um conto policial, mesmo possuindo investigação, homicídio, pistas que se revelam, todo tipo de interesses - dos egoístas ao humanitários - e segredos, o livro vai além. "Chantilly" esta muito próximo do convívio humano, os protagonistas amadurecem, aprendem, se emocionam o que enriquece a trama.
Não há segredos na diagramação, as páginas são brancas, mas com qualidade. Já a revisão esta de parabéns, o que faz uma grande diferença pois muitos de nós já lemos livros de autores renomados saindo por grandes editoras onde a revisão parece não existir. O que acontece aqui é uma obra feita com esforço particular e que se sobressai às outras que envolvem muito lucro e vários exemplares.
A linguagem da autora é peculiar e possui uma velocidade muito boa, com curvas de esperteza e bela forma somadas a acontecimentos rápidos e sem enrolação. Cabe ressaltar que a história mesmo sendo repleta de personagens e locais que beiram o caótico, a obra esta muito equilibrada. Não há excessos em nenhum momento por conta da autora, tudo é feito com delicadeza, mesmo nas situações de maior tensão ela transmite o ocorrido que emociona e choca sem a necessidade de abusos. 

"Chantilly" é o primeiro livro de uma trilogia que parece ter muito a oferecer. Um livro super envolvente e instigador, sem sombra de dúvida. Está na lista dos "super recomendados" para qualquer público que goste de se surpreender.

O livro no skoob: clique aqui
Acesse também o site da autora: maresoares.com.br onde se pode ler o primeiro capítulo.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Adorável Noite


Autor: Adriano Siqueira
Ilustração da Capa: Anderson Siqueira
Ilustrações Internas: Anderson Siqueira, Linda Bucklin, Bob Orsilo e Andreas Meyer
Arte Final e Diagramação: M. D. Amado
Revisão: Celly Borges



O primeiro livro de Adriano Siqueira saiu do forno em maio deste ano pela Editora Estronho e trata daquilo no qual já é especialista: "Vampiros". O que ocorre aqui na verdade é um ganho muito grande para quem acompanha o trabalho do Adriano, já que o livro recolhe contos publicados durante muito tempo no seu site Adorável Noite, e agora ganham uma roupagem de ótima qualidade. Para quem só gosta do tema, ele além das histórias traz curiosidades e referências dos seres noturnos. Para o fã dos sanguessugas das antigas que sente falta das transformações em nevoa, outros animais e os velhos e camaradas morcegos, isso tambem há no livro. Já para quem prefere muito sangue e sedução - paixão que está sempre presente - também vai encontrar nessas linhas.
E não acaba por ai, afinal são 66 contos rápidos, frenéticos e envolventes. Até para quem não gosta muito das aventuras vampirescas vai curtir o livro que também traz histórias de terror e várias outras criaturas de uma maneira divertidíssima.

O prefacio foi assinado pela Liz Vamp que fala um pouco do autor e do tema no geral. Vale passear pelo conhecimento e mérito dessa "musa".
Depois entramos direto na vida desse camarada que é o Adriano com um espaço dedicado ao seu trabalho e ao Adorável Noite site.
Em seguida temos a rápida introdução e as curiosidades sobre os senhores da noite.
Após passar por esse tapete vermelho de recepção já terá percebido mesmo antes do primeiro conto, uma característica muito nova na abordagem sobre Vampiros.
M. D. Amado optou por uma vestimenta leve e descontraída, mais uma vez todas as páginas tem um toque especial e as ilustrações colaboram com o ar sanguinário e aventureiro mesclado ao bom humor.
Falando ainda das qualidades plásticas, a capa traz agressividade e riscos que se assemelham ao HQ. As cores são inovadoras, principalmente para um livro de vampiros, há muita cor e a predominância é do azul (e não do preto e vermelho já mais comumente usados), e no personagem que nela esta observamos o lado sujo e feio dessas criaturas, pois ser vampiro sempre foi uma maldição e não uma benção, o que tem sido esquecido principalmente pela grande mídia.
A contra capa - sim! Eu vou falar até da contra capa (rss) - traz a sedução em uma imagem que parece banhada em sangue. Lá o sombrio ganha asas em uma versão levemente estilizada e demoníaca.
Já é comum na estronho caprichar na parte interna da capa e contra capa e nas orelhas, mas visto a quantidade de informação das partes externas, eles optaram pela simplicidade.
Não da pra falar sobre todos os contos, mas o que há de presente na maioria deles que ainda não foi citado é a energia que emana desses contos que parecem ter como foco lhe surpreender. Apesar de serem curtos, os acontecimentos citados são destemidos, carismáticos e flertam o tempo todo com o inapropriado e impossível. É o fantástico dentro da literatura fantástica. Simples e verdadeiro.
E para fazer inveja, no meio do livro há páginas fotográficas onde Adriano Siqueira faz mostra de sua coleção a cerca do tema.
Durante as aventuras ainda há a visita inusitada de um astro do rock, além das outras criaturinhas como fadas e sereias.
O livro “Adorável Noite” pode ser considerado algo novo e estimulante dentro do gênero, traz uma leitura gostosa e divertida onde um conto estimula a leitura do outro.

Encerrando eu faço um pedido ao Adriano revelando meu conto preferido:

- ADRIANO! Escreve outra história com a NATY VAMP?!!!!!

Onde adquirir? Acesse a loja on-line da Editora Estronho.
Mas se antes de cravar os dentes nesse pescoço quiser provar do sangue a editora disponibiliza um arquivo em PDF para degustação.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Cursed City



Editora Estronho 2011
Capa e Diagramação: M. D. Amado
Revisão: Celly Borges
Ilustração do Prefácio: Anderson Siqueira
Ilustrações Internas: Public Domain Photoshop Brushes
Prefácio: Adriano Siqueira
Vários autores.
Impresso pela IBEP Digital



Falar sobre Cursed não é uma tarefa fácil, porém é muito divertida e emocionante. Sei que pode parecer estranho ou inapropriado resenhar um livro do qual se faz parte, mas quando se trata de uma antologia em que os autores selecionados não mantêm nenhum tipo de contato ou troca de opiniões relativas aos textos, a surpresa e a tomada de ciência da obra completa é muito parecida com a apreciação de qualquer outra obra. E justamente por esses motivos que acho possível falar sobre o livro além de outro fator. Quando você pensa em um conto dentro de uma proposta com um cenário tão rico e detalhado como o desta antologia, é inevitável arregalar os olhos - e até mesmo deixar o queixo cair - diante tantas idéias inesperadas, criativas e diferentes.
Ao todo são vinte autores, isso quer dizer que - com muita audácia e cara de pau hehe - posso falar sobre o trabalho desses parceiros que me emocionaram, divertiram e meteram algumas pulgas atrás da minha orelha ao pensar de onde vieram suas inspirações amaldiçoadas.

A qualidade gráfica dos livros da estronho como sempre é incrível, e dessa vez não foi diferente. Um trabalho que só se faz com muito amor e dedicação - não importa quanto essa frase seja piegas. O cuidado vem desde a proposta com a descrição da cidade tanto no site da editora, para que os autores se baseassem na hora de escrever suas "desventuras" e também no próprio livro para que o leitor saiba em que pedaço do inferno está pisando.
A capa e arte interna do livro mesclam elementos do velho oeste com o horror. A graça é tanta que o livro tem um furo de bala. O papel é de ótima qualidade, e todas as páginas são tematizadas. Assim como marcadores e botons que você adquiri ao comprar o livro. E o que mais se pode falar sobre a diagramação? Nada? Muito pelo contrário. Antes de cada conto há um resuminho sobre cada autor e uma foto sua em um cartaz de procurado! Um mimo tanto para o leitor como para os selecionados.
O prefácio está por conta de Adriano Siqueira. E pra quem não sabe muito sobre western é ainda mais indispensável. Ele trás referências importantes do gênero na televisão, cinema e quadrinhos para que, no caso de ser um fã do estilo já ir se identificando, e se não conhecer muita coisa, ter uma trilha amarelada de poeira velha para se guiar caso resolva buscar mais do gênero.
Cursed é um livro para apreciadores de faroeste, de horror, e de aventuras fantásticas.
As ilustrações, apesar de serem banhadas no horror, tem uma característica que beira a ironia. O riso leviano também é reflexo do desespero não é? São muito bem trabalhadas e fazem grande par com a diagramação.

Alfer Medeiros abre as portas para Golden Valey - nome original da, então, Cursed City. Seu conto "O gigante, a curandeira e a lutadora de kung-fu" é uma historia em que permanece a ação e o mistério. Tudo ocorre muito bem ambientado em uma noite na cidade, vivida por gente de fora que sabe muito bem o que vieram buscar.

"Oricvolver" de Ghad Arddhu, não poupou no inusitado. Ele nos leva para a ferrovia abandonada e depois para a noite em Cursed. Uma máquina fantástica, um belo plano, um diabrete - que eu adorei, diga-se de passagem - e o terror realmente "quase" indescritível e fantástico que geram esse outro pedaço da loucura que é essa cidade, são as trilhas de seu conto. Muito ousado.

Depois, "Numero 37" de minha autoria, pode-se dizer que trás um pistoleiro diferente e alguns demônios. Que ao menos eu me diverti criando. Do resto não posso falar porque ai não seria resenha, seria propaganda (rss).

"Por um punhado de almas" tem o grande forte na descrição da história e do cenário. Cirilo S. Lemos faz uma submersão detalhada na vida empoeirada que seu personagem se depara e dos antagonistas, os humanos e os nem tanto. Um grande desenrolar do horror e um passeio pela igreja tomada por algo demoníaco são igualmente trabalhados com um ótimo fim.

André Bozzetto Jr. é o convidado da antologia e em "Balada de um coyote" trás, sem dúvida, o personagem mais engraçado do livro. Divertido e rápido, se passa nos arredores da cidade e não tem nada muito horripilante. Nesse caso a fantasia e o inusitado estão mais fortes que o medo. Está aí um diferencial.

"Just like Jesse James" é o mais nojento na antologia. E isso é muito bom! Alliah cavou nas feridas do velho oeste com a falta de higiene e desleixo. Além de trazer elementos já conhecidos dos amantes do gênero, a mistura de ficção cientifica com o próprio western, ela nos envolve na podridão e no fatídico.

Personagens distorcidos dos estereótipos são sempre bem vindos, e o protagonista criado por Georgette Silen é isso. Todo o cenário sujo de cheiro podre de Cursed também está nesse conto, ao lado de índios nada convencionais. Interesses corruptos dividem lugar com a aventura e mistério existentes no conto "A mão esquerda da morte" que fortalece a cruel verdade de Cursed City.

Verônica Freitas tem um grande feito em "Deixe-me entrar". Tanto a personagem e os cenários foram muito bem construídos, onde começo, meio e fim da trama foram criados com dedicação. Uma história onde o horror está em todas as linhas, causado tanto por vandalismos humanos quanto interesses das criaturas sobrenaturais e o fim da inocência.

Tânia Souza com "Demônios da escuridão" cria uma aventura emocionante. Uma protagonista em busca de vingança e uma maldição muito palpável e surreal sobre a cidade - um tanto ambíguo, mas assim que é! Ela lapidou as situações com veracidade e tudo é muito descritivo e visual. Onde o passado são as raízes de um presente caótico e injusto.

Romeu Martins caprichou na referência histórica e no modo de falar dos personagens. Tem uma cena de mais tensão, mas o conto ficou firme no dialogo. Tem quase a característica de um capítulo ou introdução de uma história maior. Mesmo assim, cheio de surpresas.

M.D. Amado (organizador) se junta à turma de bandidos com o conto "Nem sempre a fé te salvara" que trás um personagem carismático - para os padrões do velho oeste - e uma história com um começo saudosista seguido por intrigas e interesseiros, além de uma viajem no mundo dos mortos e grande envolvimento com as características da cidade. (O mesmo personagem em outra aventura você encontra no livro “Sagas 2 – Estranho Oeste” da Editora Argonautas).

"Sally" é um conto muito sexual e forte. Valentina Silva Ferreira não poupou na descrição e no psicológico da sua protagonista. O ruim é que a história acaba de repente. Não da pra saber se foi proposital ou não, o que de fato não chega a prejudicar o trabalho da moça que foi ousado e cativante.

Jota Marques fez algo muito criativo, desde a escolha do personagem principal que é um menino, o que vemos pelo título "As desventuras do pequeno Roy", até a forma de abordar o conto do ponto de vista do garoto. Mas também é a história mais sensível e triste. Existe uma leveza que aos poucos é tomada pela calamidade e tragédia. (Vale ressaltar que nesse conto especificamente houve alguns probleminhas de revisão, algumas palavras parecem sobrar nas frases.)

"Aquele que vendia vidas", da autoria de Ana Cristina Rodrigues, traz o mal vindo de fora da cidade, como se cursed não só produzisse o horror, mas como se atraísse para seu solo o que há de pior fora de seus limites. Existe certo quê de justiça nas revelações e desfecho, onde nada parece acontecer por acaso.

Agora temos outra história com toques irônicos. Chico Pascoal parece ter firmado sua trama em um humor negro muito bom, além de escrever com talento. Toda palavra parece ter sido pensada lapidando os parágrafos. Surpresas não faltam em "Duas lendas" com seus acontecimentos inesperados e um ar incrível de decadência.

Ainda na leva da comicidade o conto de Davi M. Gonzales traz sua cara já no título. "Ainda dói?" começa com um diálogo inusitado e a aventura é contada por um personagem ao outro. Também se influenciou pela mistura de velho oeste e ficção cientifica. Deve ser a história mais inusitada e, ao mesmo tempo, com um começo razoavelmente simples. Uma grande idéia sem sombra de dúvida.

E parece que as aventuras engraçadas se firmaram nessa parte quase final do livro. Yvis Tomazini trás personagens bem trabalhados e super vivos na sua trama "Só o dinheiro dos mortos", mesmo onde os nomes sugerem personagens tipo. Ninguém em nenhum momento é o que parece ser e quando chegamos ao fim nos sentimos meio bobos se fazendo a pergunta "Como eu não percebi isso?". E tambem não falta horror vindo de um modo bem inusitado.

"O fantasma de Franklin Stuart" trás de volta a seriedade e o peso de Cursed City. Uma trama incrível em que as verdades se revelam das maneiras mais cruéis. Lucas Rocha criou motivos concretos para tudo que ocorre. Crueldade e sangue sublinham os acontecimentos dessa história totalmente nos padrões da antologia.

Zenon mantêm a densidade nas páginas. O caos de "Descanse em paz" esta tanto na cidade amaldiçoada como na mente do protagonista. Ele traz uma visão muito bem pensada da morte e não mediu o tamanho das surpresas no desfecho. Um conto bem construído e envolvente. Adorei o nome do personagem principal também.

E agora tudo fica mais difícil porque Marcel Breton foi incrivelmente ousado. Ele parte do ponto de vista de um dos personagens principais de cursed e faz com outros o inimaginável. Seu conto "Sombras" fala do lado de fora sobre o dentro, brincando com mergulhar e se distanciar da cidade. O horror esta lá muito bem colocado, inclusive ele trabalha com os parâmetros - ou seriam paradigmas? - de micro e macro onde tudo está inteiramente ligado. E foi muito bem escolhido pra fechar a antologia.

"Cursed City - Onde a alma não tem valor" alem de inovar na proposta com um gênero não comum na literatura fantástica nacional, nos traz um nível muito bom nas histórias selecionadas. Acho impossível que qualquer um que leia não aprecie e se envolva com pelo menos um conto pois apesar de se passarem no mesmo cenário e terem características recorrentes, eles possuem uma grande criatividade e peculiaridade devido às marcas e gêneros de cada autor. Fora que a plasticidade do livro o torna um exemplar da literatura pra se ter em casa.
É claro que para leitores não acostumados a livros de contos, fique um pouco cansativo, afinal gosto é gosto. Mas o bom trabalho que é esse livro merece a leitura até desse público que não sairá decepcionado.
Mais uma vez parabéns a Estronho e aos autores que embarcaram nesse projeto.

A editora disponibiliza no site um arquivo em PDF com dois contos como forma de degustação degustação.

Caso queira saber mais sobre os autores e seus outros projetos acesse a lista de autores e prefaciadores da Estronho.

Onde comprar? Acesse a loja on-line da editora e ainda descubra como acumular pontos para trocar por outros livros.

E longa vida a Literatura Fantástica Nacional!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Rabiscos


As letras nem sempre são suficientes
Os sonhos querem ganhar ares
de rabiscos leves fugidos;

A dor, porém aprisiona a liberdade
tão necessária à repetição extensa que não há
nos rabiscos leves fugidos;

Inspiro na dor extrema do real a cicatrizar
Espiro em brincadeiras flutuantes e tênues
com meus rabiscos leves fugidos;

É este novo ar, delicado, simplório e louco
da gentil e cruel necessidade de criar
os rabiscos leves fugidos.


Já faz um tempo que não posto por aqui algum desenho, e já que a necessidade do registro me veio, optei por voltar a esse hábito. Esses dois desenhos são meus primeiro registros plásticos autobiográficos feitos de modo consciente, pois devem existir outros do passado que registram fatores mais temperamentais.
Fazer isso propositalmente veio depois de assistir o filme "Frida", que registra a caótica vida dessa brilhante artista. Não, nem sonho em chegar aos pés dela e "minha arte", se assim posso chamar, caminha por outras vertentes muito distintas e distantes, sem falar no material, claro.
Por isso que é inspiração e nao plágio.

Por enquanto são por traços leves e rápidos, devido a intenção da "obra" e a necessidade física.
Sem muito que falar. É isso que esta ai.

Material:
- caneta ponta fina esferográfica preta;
- lápis de cor aquarelável ;
- papel canson.

A Fada





 Nuvens



sexta-feira, 1 de julho de 2011

Estigmas da Luz - Resenha

Resenha - Estigmas da Luz
Autora: Liana Cupini
Editor Responsável: Uziel de Jesus
Revisão: Flaviana Tavares
Capa: Marcelo Hanickel e Melissa Roncete
Above Publicações
Primeira edição, Novembro - 2010

Certa vez eu voltei à escola onde cursei o colegial, e fiz minhas primeiras aulas de teatro sem qualquer pretensão, para estagiar com meu professor de Arte e ele me recebeu com um grande sorriso e a frase: "Mas que grata surpresa!". E porque eu inicio a resenha de "Estigmas da Luz" com essa passagem tão particular? Pois essa foi a primeira frase que veio em minha mente há alguns minutos quando acabei de ler esse lindo livro da aquariana - tinha que ser aquariana não é mesmo? rss - Liana Cupini. E também porque um livro tão gostoso de ler não poderia ser mencionado de modo que não fosse pessoal.
Agora explico porque ler essa narração foi "Uma grata surpresa!"
O livro que conta a vida de Aurora - e de seu irmão Tomas - da descoberta de seu dom e a possibilidade de uma vida tranqüila até a busca em entender seu papel no mundo não tem muitos segredos na diagramação, as linhas são espaçadas o que faz com que a história passe muito rápido de página em página. As folhas são brancas, mas não são aquelas finas que você vê o outro lado (uffa! Ponto para a editora).
A capa é bonita mostrando um grande céu entre um olho e a lua, mas não me disse muita coisa. Na verdade tanto o título quanto a capa me lembrou livros de astrologia. Depois li as orelhas e a sinopse atrás do livro que deu pistas sobre o tipo de aventura que eu encontraria: gêmeos, dom, clínica medica, uma ilha perdida no nada e nomes de coadjuvantes pouco comuns. Porém, depois das primeiras páginas do livro eu descobri que nenhuma dessas pistas foram capazes de realmente falar sobre o que é esta primeira obra da "Série Luz e Escuridão".
E para conhecer um pouco mais direto da fonte acesse o blog "Livros Luz e Escuridao" (para você não cair em blogs sobre a série dos livros Crepúsculo que tem o mesmo nome).
As surpresas dessa história não acabam: os personagens nos ficam íntimos por suas atitudes, poucas vezes ela os descreve fisicamente, a não ser quando necessário e sempre de maneira sutil.
Outros encantos são as influências culturais e os locais em que ela nos leva. Só no Brasil passamos por uma pousada na praia do nordeste e por uma tribo indígena no alto do Xingu. Fora do Brasil viajamos por uma ilha ao sul da Oceania, Toronto, Peru, Nova Iorque, Paris e acho que lembrei todos os lugares.
O enredo é repleto de suspense, lendas das mais variadas, mistério e muita humanidade. Não há batalhas ou grandes perseguições, mas nem por isso deixa de haver aventura.
Os personagens são o grande forte da história, eles revelam e guardam segredos, e levam por terra a idéia de "bem e mal", não há heróis e vilões, apenas pontos de vistas e interesses diferentes. Outra coisa muito boa é que os personagens aprendem e evoluem o que aumenta a veracidade da criação de Liana.
A única baixa do livro esta por conta da revisão.
Liana Cupini tem uma linguagem simples, tranqüila e leve. Não há metáforas e nem adornos, mas a revisão deixou passar palavras repetidas no mesmo parágrafo várias vezes e, algumas vezes, deixou que frases diferentes que querem dizer a mesma coisa aparecessem uma em seguida da outra. Outra coisa a se ter cuidado é que foi utilizado itálico nas falas grandes que utilizam mais de um parágrafo, mas às vezes esse itálico aparece repentinamente e some e volta também dentro da mesma fala o que dificulta um pouquinho à leitura.
A verdade é que "Estigmas da Luz" é um livro incrivelmente prazeroso, do tipo que pode melhorar seu dia e se fiz questão de falar desses erros é que a autora promete a continuação e não pode se prejudicar por coisas simples de resolver.
Criatividade não faltou e recomendo para quem gosta de uma boa história. Um livro com fantasia e ficção, mas que pode agradar até os leitores que preferem passagens mais palpáveis e criveis.
Liana traz um pedaço lindo do mundo na busca de contar um pouquinho sobre o universo.

Para encerrar, acaba de sair a nova capa do livro, e para quem já tem o seu é só enviar um email pra autora (informações no blog). Parabéns à Liana e ao design Renato Klisman, ficou linda.




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