domingo, 18 de dezembro de 2011

O Reino dos Sonhos - A Cidade de Cristal

Um livro além de um mundo mágico

Autora: Natália Couto Azevedo
Capa: M. D. Amado
Ilustração de Capa: Doreen Salcher
Ilustrações Internas: Doreen Salcher, Linda Bucklin, Bowie15 e Maryna Halton
Diagramação: M. D. Amado
Editora Responsável: Celly Borges
Revisão: Celly Borges



Inicialmente nunca fui fã de fadas. Nem em filmes, livros ou qualquer meio que fosse. Mas já faz um tempo venho querendo me desfazer desse preconceito. E acredito que, graças à Natália, hoje posso ver-me livre desse comportamento tão vergonhoso (risos). Mas, brincadeiras à parte, O Reino dos Sonhos – A Cidade de Cristal, é um livro cheio de méritos e tentarei fazer o mínimo de justiça a ele nesta resenha.

Na verdade, a leitura deste livro era algo que já ansiava desde que vi o Booktrailer divulgado pela Editora Estronho, onde um mundo mágico se ocultava e se revelava diante os olhos e todos os sentidos. Porém, quando adquiri o livro, havia outros títulos aguardando meus momentos de dedicação, mas ao olhar a linda capa, aguçava-me cada vez mais a leitura. Então, depois de foliar e me deslumbrar com o trabalho primoroso já conhecido desta editora, e depois de ler a sinopse na quarta capa, não tive dúvidas. A vontade de ler está história passou à frente, e finalmente a vida de Elorá (personagem principal) se desdobrou aos meus olhos junto a um mundo mágico.

Um fato bastante complicado, porém, é escrever algo com um toque de literatura juvenil. A qualidade sempre me parece algo difícil de alcançar, e muitos autores criam personagens tão superficiais e fúteis (retratando certo tipo de adolescente tão alienado e superficial) que me causa repudia durante a leitura. Na verdade, eu tenho muito receio (para não usar alguma palavra mais forte) de qualquer tipo de produção cultural que vincule um padrão vazio que acabe legitimando comportamentos semelhantes e encarando essa banalidade como algo natural ao adolescente. O que não é!
Então, me permito aqui, abrir um adendo. Adolescentes por mais rebeldia e dificuldades emocionais que os fazem mudar de opinião ou se arriscar rapidamente em diferentes tendências e âmbitos, são, na verdade, sedentos por respostas, conhecimentos, descobertas. O problema é que hoje, nossa sociedade como está, tem muita dificuldade de lhes corresponder, assim, essa rebeldia acaba levando-os na maioria das vezes à superficialidade. E o que vamos fazer? Dizer que é assim mesmo e reproduzir falhas de caráter como exemplo, ou lhes dar vós e ainda mais, mostrar que tudo pode ser diferente, maior, melhor?
Assim, fico muito feliz quando me apresentam uma personagem adolescente que vive sim com todas as dificuldades de sua idade, como também, vai além. Ela faz escolhas, ela amadurece, ela pensa o mundo ao seu redor. Se apaixona, chora, tem sonhos, come doces, cultiva uma melhor amiga, fica envergonhada, mas que principalmente, amadurece durante a trama. E vê, por diferentes motivos, que o mundo é muito maior do que suas pequenas dores.

Mas claro que este é um livro de fantasia, então, para aquecer na trama e nos envolver com o enredo, os problemas da jovem transpassam ainda os problemas do mundo, e vão para os problemas de outro mundo. Só por isso, eu já dou uma salva de palmas à Natália.

Outro mérito do livro são os cenários dos dois mundos descritos pela autora. É tanta riqueza de detalhes que eu realmente me vi dentro da história, me vi fazendo os mesmos passos que a personagem, acredito ter deslumbrado do ônibus, dos prédios da faculdade, do seu quarto aconchegante, do parque. Mas principalmente, das cores lindas do mundo feérico, as construções majestosas, as flores, as árvores, a cachoeira, enfim. Fiquei deslumbrada com a força dessas imagens. Muito! Além do que, uma sensação incrível de que o Reino dos Sonhos parece ser muito mais vivo, do que o mundo real. Uma magia etérea toma conta de toda a aura do livro.

A aventura é narrada em primeira pessoa, e o interessante aqui é que a história não fica maçante. Mesmo quando nos perdemos nas sensações e apreensões da jovem, é tudo leve. A personagem se aproxima de nós com jeito, e aos poucos, ficamos familiarizados e simpatizados com sua simplicidade, ao mesmo tempo, em que ela é única, diferente.

As vidas dos demais personagens não é algo sobre o qual a autora se desdobre, não se sabe muito sobre eles, mas mesmo os mais misteriosos deixam pistas de sua verdadeira essência. Apesar de preferir personagens cheios de vida pregressa (que trazem uma maleta com sua história de vida, digamos) funcionou muito bem aqui, pois a leitura flui muito rapidamente, cheia de energia e dinamismo. Nada além do necessário, apenas aquilo que influência na vida de Elorá. Porém, nem por isso eles são mornos. Tem trejeitos, charmes, personalidades únicas e para cada um, um cantinho especial durante a travessia dessa história.

Agora, quanto ao livro físico. Quem já leu ou foliou algum livro da Estronho sabe o que é a diagramação do M. D. Amado. O capricho com as escolhas das imagens, o lado interno das capas cheias de detalhes, sempre coloridas. O cuidado nas fontes escolhidas até para a numeração das páginas.
Eu gostei muito das imagens utilizadas para capa, e também das internas. Entre os capítulos, as páginas ficaram leves, simples, a imagem de uma borboleta em cada um deles, deu um toque muito belo e mágico.
Apesar do rosa (que eu não curto muito) predominar na capa, ela é linda e cumpre o desejado, combinando com as sensações predominantes no enredo. Agora, se você achou uma coisa muito “fofa” a borboleta no rosto da garota, surpresas aguardam, em cada detalhe. E meninos e moços, fiquem à vontade. Leiam que vale a pena.
Não é uma história de suspense, à pesar de haver uma certa dose de segredos a serem descobertos, é sim, uma história encantadora e leve, cheia de magia e beleza.

Apesar de todas as virtuosidades que o livro possui, as quais ainda ficarão comigo por muito tempo em sonhos e lembranças, o maior mérito é o encantamento. A narrativa é um chamado cada vez mais para dentro e para frente dessa trama, desses mundos, dessa garota, dessas paisagens, verdadeiras pinturas. É como uma música que não se pode deixar de ouvir. Não sou a mesma depois desse livro. Me sinto mais humana, mais leve e acredito um pouco mais no poder da fantasia e dos sonhos.

Agradeço à Nátalia Couto Azevedo por esta história incrivel, e fico no aguardo, muito ansiosamente, pela continuação.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Teia Virtual

Uma trama policial do mundo moderno.

Autor: Carlos Eduardo R. Bonito
Capa: Dimitry Uziel
Diagramação: M. D. Amado
Revisão: Georgette Silen
Modelo de Capa: Danny Pilotto
Editora Literata




No mundo da literatura e das artes em geral "idéias" é algo que parece não faltar. As que conseguem sair do papel, ou nesse caso, irem para o papel impresso, nem sempre são geniais, ou inovadoras. Dentre as verdadeiras boas idéias, porém, o que tenho visto é um misto de total quebra de limites, ou então, verdadeiras pérolas muito simples, que nos fazem indagar “Como ninguém pensou nisto antes?”. E a obra de Carlos é uma dessas idéias que retratam algo tão provável de acontecer na vida real, que justamente por isso, é fabulosa.
Aqui, um serial killer, desses super inteligentes e metódicos utiliza-se da segurança das redes sociais e da interação virtual para cometer seus crimes. Como ele faz isso? Aqui eu não digo, é algo que você só ira descobrir lendo. Mas já da pra ver a boa idéia do autor.
Os personagens, vamos falar então sobre eles: os coadjuvantes são interessantes e, digamos, dois deles, cheios de problemas de personalidade. Helena e Alexandre são do tipo carismáticos e inconstantes, deixando a sobriedade para a terceira heroína, Beth, que parece equilibrar o trio.
Aprofundamento mesmo, existe apenas em Alexandre e em um quarto personagem que aos poucos se torna muito importante no enredo, Álvaro. Voltas ao passado dos dois criam laços incríveis com o leitor, e é neles que o autor abusa para tocar em nosso emocional.
Já o antagonista, o serial citado anteriormente, tem um lado pessoal bastante forte, mas ficou mais estereotipado. Mas que funcionou bem na história.
Como pontos negativos da obra, a revisão tem falhas, coisa que até se o autor reler pode arrumar para uma próxima edição, e a capa não convence.
A mulher loira de gatinhas com os seios de fora não tem nenhuma ligação com o livro. A não ser que exista algo muito subjetivo que eu não peguei. A idéia de trabalhar com a teia de aranha fazendo referência ao título e a própria rede de internet é bacana, mas poderia ter sido mais bem trabalhada.
A diagramação das páginas tem as letras um pouco menores do que na maioria dos livros, o que na verdade, me agrada. Pois certos livros têm letras tão grandes e com tanto espaço que chega a ser um desperdício de papel. Vale ressaltar, não é porque um livro é grosso que ele é um bom livro, e o contrário também é verdade. Nas páginas há a reprodução da teia, quase como uma marca d’água, dando um toque especial.
Como o autor conduz muito bem a história, e toda a trama acontece muito rápido, a leitura flui sem cansar, mesmo com as letras menores.
E este é um ponto a favor. Visto que se trata de um romance policial, prender a leitura com suspense, ação, idéias mirabolantes e investigativas é essencial. Aos poucos, os fatos se desdobram contados por diferentes personagens, tanto por réus, pelo antagonista, ou também por um dos mocinhos.
Aqui há espaço para cenas mais apimentadas e um pouco grotescas, como também para um romance de leve.
Outros personagens bem bacanas fazem ponta, sempre se mostrando mais do que realmente seriam.
Um artifício aqui presente, que já não me agrada muito, é a mudança de perspectiva de uma hora para outra sem nem mesmo um espaço, ou qualquer separação. Já vi isto em outros livros, e sempre me causa uma sensação de estranhamento negativa. Não a mudança em si de ponto de vista, mas sim, a mudança sem aviso.
O final também me chocou. De modo bom e ruim. 
A parte ruim é que senti o autor correndo para encerrar, e quando chega ao ápice algo inesperado resolve tudo sem muito tato. Senti falta de curtir o final, tanto as conquistas dos personagens quanto as perdas, afinal, nos apegamos a eles no decorrer do enredo e do desenvolvimento da história. Porém, as escolhas foram boas, resolvendo o que era necessário, mas mostrando que nem tudo são flores, deixando ainda um espaço para uma reflexão de vida.
Teia Virtual é antes de tudo uma grande idéia, uma trama envolvente, um livro que merece ser lido.
E mais além, é um livro cheio de lições, tanto do cuidado que se deve ter nas redes sociais, dizendo tudo que se pensa e se é sem saber exatamente com quem esta lidando, onde todo tipo de gente pode ludibriar e enganar até as pessoas mais espertas que, em um momento de fragilidade, se deixam envenenar. Como também uma lição do tipo "não guarde magoas, não seja teimoso, de valor à vida e às pessoas".

O livro é muito bom,  parece que saiu uma segunda edição, então torço para que esses erros tenham sido corrigidos. 
Fica também como dica de leitura, o potencial do livro e do autor valem muito a pena.

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