Teia Virtual

Uma trama policial do mundo moderno.

Autor: Carlos Eduardo R. Bonito
Capa: Dimitry Uziel
Diagramação: M. D. Amado
Revisão: Georgette Silen
Modelo de Capa: Danny Pilotto
Editora Literata




No mundo da literatura e das artes em geral "idéias" é algo que parece não faltar. As que conseguem sair do papel, ou nesse caso, irem para o papel impresso, nem sempre são geniais, ou inovadoras. Dentre as verdadeiras boas idéias, porém, o que tenho visto é um misto de total quebra de limites, ou então, verdadeiras pérolas muito simples, que nos fazem indagar “Como ninguém pensou nisto antes?”. E a obra de Carlos é uma dessas idéias que retratam algo tão provável de acontecer na vida real, que justamente por isso, é fabulosa.
Aqui, um serial killer, desses super inteligentes e metódicos utiliza-se da segurança das redes sociais e da interação virtual para cometer seus crimes. Como ele faz isso? Aqui eu não digo, é algo que você só ira descobrir lendo. Mas já da pra ver a boa idéia do autor.
Os personagens, vamos falar então sobre eles: os coadjuvantes são interessantes e, digamos, dois deles, cheios de problemas de personalidade. Helena e Alexandre são do tipo carismáticos e inconstantes, deixando a sobriedade para a terceira heroína, Beth, que parece equilibrar o trio.
Aprofundamento mesmo, existe apenas em Alexandre e em um quarto personagem que aos poucos se torna muito importante no enredo, Álvaro. Voltas ao passado dos dois criam laços incríveis com o leitor, e é neles que o autor abusa para tocar em nosso emocional.
Já o antagonista, o serial citado anteriormente, tem um lado pessoal bastante forte, mas ficou mais estereotipado. Mas que funcionou bem na história.
Como pontos negativos da obra, a revisão tem falhas, coisa que até se o autor reler pode arrumar para uma próxima edição, e a capa não convence.
A mulher loira de gatinhas com os seios de fora não tem nenhuma ligação com o livro. A não ser que exista algo muito subjetivo que eu não peguei. A idéia de trabalhar com a teia de aranha fazendo referência ao título e a própria rede de internet é bacana, mas poderia ter sido mais bem trabalhada.
A diagramação das páginas tem as letras um pouco menores do que na maioria dos livros, o que na verdade, me agrada. Pois certos livros têm letras tão grandes e com tanto espaço que chega a ser um desperdício de papel. Vale ressaltar, não é porque um livro é grosso que ele é um bom livro, e o contrário também é verdade. Nas páginas há a reprodução da teia, quase como uma marca d’água, dando um toque especial.
Como o autor conduz muito bem a história, e toda a trama acontece muito rápido, a leitura flui sem cansar, mesmo com as letras menores.
E este é um ponto a favor. Visto que se trata de um romance policial, prender a leitura com suspense, ação, idéias mirabolantes e investigativas é essencial. Aos poucos, os fatos se desdobram contados por diferentes personagens, tanto por réus, pelo antagonista, ou também por um dos mocinhos.
Aqui há espaço para cenas mais apimentadas e um pouco grotescas, como também para um romance de leve.
Outros personagens bem bacanas fazem ponta, sempre se mostrando mais do que realmente seriam.
Um artifício aqui presente, que já não me agrada muito, é a mudança de perspectiva de uma hora para outra sem nem mesmo um espaço, ou qualquer separação. Já vi isto em outros livros, e sempre me causa uma sensação de estranhamento negativa. Não a mudança em si de ponto de vista, mas sim, a mudança sem aviso.
O final também me chocou. De modo bom e ruim. 
A parte ruim é que senti o autor correndo para encerrar, e quando chega ao ápice algo inesperado resolve tudo sem muito tato. Senti falta de curtir o final, tanto as conquistas dos personagens quanto as perdas, afinal, nos apegamos a eles no decorrer do enredo e do desenvolvimento da história. Porém, as escolhas foram boas, resolvendo o que era necessário, mas mostrando que nem tudo são flores, deixando ainda um espaço para uma reflexão de vida.
Teia Virtual é antes de tudo uma grande idéia, uma trama envolvente, um livro que merece ser lido.
E mais além, é um livro cheio de lições, tanto do cuidado que se deve ter nas redes sociais, dizendo tudo que se pensa e se é sem saber exatamente com quem esta lidando, onde todo tipo de gente pode ludibriar e enganar até as pessoas mais espertas que, em um momento de fragilidade, se deixam envenenar. Como também uma lição do tipo "não guarde magoas, não seja teimoso, de valor à vida e às pessoas".

O livro é muito bom,  parece que saiu uma segunda edição, então torço para que esses erros tenham sido corrigidos. 
Fica também como dica de leitura, o potencial do livro e do autor valem muito a pena.

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Entrevista na Editora Coerência