sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Draco Saga

Um dragão e uma história pra contar.

Autor: Fábio Guolo
Revisão: Fabiano Guolo, Valéria de Lurdes do Valle e Gabriela Coirados.
Capa e diagramação: Leandro Bittencourt
Impressão e acabamento: Gráfica Athena

 


Para começar a falar sobre “Draco Saga” acredito que a melhor palavra à utilizar seria “aventura”, aventura em todo o contexto que ela possa abranger.
O livro primeiro livro da saga, trata de religião colocando em dúvida preceitos cristãos principais como Deus e Jesus Cristo, mas também cria vários enlaces referentes à viagens astrais, espíritos e reencarnação.
Outra crítica que está presente nas páginas do livro é a ideia de que os seres humanos são pragas capazes de causar o caos e a destruição, além de não haver respeito ou dignidade entre si.
Mas, Fábio Guolo também buscou um diferencial trazendo como personagem narrador um Dragão, e toda uma sociedade draconiana.
Uma característica interessante é que os personagens sofrem durante o enredo mudanças de personalidade, sejam elas pelas vivências adquiridas ou por fatores mais “mágicos” ou “espirituais” o que torna a leitura mais interessante criando surpresas ao leitor. Muitos desses personagens são bastante carismáticos e bem reais em suas atitudes que permeiam a bravura, a alegria, a ironia, a graça, a brutalidade entre outros, o que corresponde as duas principais raças citadas.
O começo da leitura é um tanto difícil, pois entender a graça e sentimentos de Dragões prepotentes é sempre difícil para quem não está habituado com a leitura, genero ou gosto, mas essa sensação também passa durante as páginas que são viradas a procura do próximo desenlace ou problema a ser averiguado. Uma sacada esperta é que várias vezes os personagens caem em contradição nas suas atitudes, o que caracteriza bem o momento de transformação que estão vivendo.
Um ponto de vista interessante é que Fábio Guolo não se conteve em trazer humanos em feudos europeus, e sim, trouxe mesmo que não profundamente, características de outra etnias como árabes e bárbaros unos, além de romanos e “espartanos”.
Outras criaturas místicas são apenas citadas, e aparecem no livro apenas como referência pois o foco esta realmente nos dragões, que representam a ordem, a disciplina e a praticidade, e do outro lado os humanos que são desvendados o tempo todo, tanto seus defeitos, como suas virtudes.
Os cenários descritos são belos mas restringem-se ao necessário, sem grande definições minuciosas o que de fato poderia travar a leitura dinâmica que a obra propõe.
A violência existente está em uma medida bem funcional. Não há grande derramamentos de sangue e carnifica, mas a cada batalha de pequeno, médio ou grande porte travada o autor não poupou mortes.
Tudo que o autor descreve desde organizações ou modos de se produzir magia, foram embasados em teorias, mesmo sendo fictícias, bastantes firmes e cheias de lógica tornado a obra uma espécie de jogo bem amarrado e com muitas regras.
A arte do livro é bastante interessante pois retrata bem a ideia de uma época passada cheia de poder e que definhou. Tem uma capa bonita e um mimo nas folhas que iniciam cada capítulo.
Os revisores deixaram passar alguns errinhos. Mas nada grave também. (ao menos não que eu me lembre).
Estruturalmente a história tende a ganhar valor conforme tudo se complica e onde os próprios dragões começam a perder suas máscaras e os humanos, mesmo que sejam poucos, começam a ganhar espaço. E do meio para o fim fica mais fácil de se identificar com os personagens de ambos os lados e torcer por eles.
O livro porém, é bastante voltado para quem gosta de aventuras medievais, histórias sobre criaturas místicas e jogadores de RPG (o que por sinal é um público cada vez maior, que consome e merece ter cada vez mais obras para degustar e embalar os jogos).
E por fim, voltamos ao início. Draco Saga é uma história de aventura, de descobertas, de um mundo de fantasia, apesar das críticas presentes no livro, não traz nenhuma grande teoria sobre elas ou afirmações concretas que podem nos levar a questionar a maneira que o mundo se tornou. E apesar de tudo que envolve o mundo mágico da trama, os acontecimentos são muitos simples (entenda simples como algo bom) pois as premissas e os desejos e fúrias são bastante palpáveis, criveis e, porque não dizer, humanos.
Uma leitura descontraída e bem fluida. Com voos horizontais sobre uma terra mágica, e alguns verticais em relação ao ser humano. Draco Saga consegue divertir e em certos momentos emocionar.

Mais informações sobre a primeira obra da saga, onde comprar e mais sobre o autor você encontra no site oficial: dracosaga.com


segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Livraria Limítrofe: O Adeus

O livro sem capa.

Autor: Alfer Medeiros
Diagramação: M. D. Amado
Editora responsável: Celly Borges
Revisão: Celly Borges
Editora Estronho
Selo Fantas.




Para quem vem acompanhando os trabalhos da praticamente recém-nascida Editora Estronho, sabe que o que ela vem desenvolvendo é de uma qualidade gráfica e criatividade impressionantes. Mas ousadia tem limite? Se tem, Marcelo Amado e sua parceira Celly Borges ainda não chegaram lá, pois desde o anunciado do lançamento do primeiro livro do Selo Fantas, já se prometia mais uma “loucura”: um livro sem capa.
Para entender melhor esse projeto, vamos falar antes sobre o que é o Selo Fantas. Celly Borges presente como revisora na Editora Estronho já há algum tempo, agora dirige um selo cujo nome foi inspirado em seu blog: Mundo de Fantas, com resenhas de livros, dicas sobre leitura, promoções entre outros. O “Selo Fantas” então veio com a proposta de trazer para dentro do universo esquisito da editora, um canto para a literatura juvenil. E “Livraria Limítrofe” do Alfer Medeiros é sua primeira obra.
(Então “Livraria Limítrofe” é um livro para crianças e adolescentes? Não! Ele também é para esse público, mas não somente.)
Alfer Medeiros (autor de “Fúria Lupina”, um livro forte em diversos aspectos) aparentemente de maneira um tanto despretensiosa criou a fantasia que rege esse livro, que tem duas grandes motivações – propositais ou não.
A primeira é que o livro refere-se a muitas outras obras dos mais diferentes universos da literatura que saltam do papel até que os enxerguemos com características de personagens e autores de todas as épocas, porém, sem citar-lhes os nomes. Isso, para um leitor de um único gênero ou poucos, cria a identificação com um ou outro “capítulo” do livro; e para o leitor que devora de tudo, irá rir e se divertir muito com diferentes passagens que tocam os mais diversos gêneros.
Em segundo lugar, o mundo que se desbrava e se renova a cada página do “Livraria Limítrofe” é tão mágico e pungente que quem não está acostumado à leitura logo irá querer buscar maiores fontes para seu divertimento e, porque não, conhecimento. Agora, não é necessário ter nenhuma bagagem para entender a história, pois cada momento único é dotado de aventura particular e tem seu próprio clímax e desfecho.
Cada “capítulo” do livro é uma pequena história contada em primeira pessoa que consiste na experiência vivida por um personagem dentro da Livraria Limítrofe, um lugar regido por magia onde todos os conhecimentos literários daquele que a visita tomam formas ou ganham vida bem diante de si.
Cada personagem-narrador, tem uma personalidade única e justamente por isso, diferentes repertórios que são personificadas dentro da Livraria, onde é claro, só entra um visitante por vez.
Então podemos dizer que existe o cenário fixo, que é realmente a Livraria e tudo que há dentro dela como manuais, livros de verdade, passagens secretas, um aquário entre outras peculiaridades criadas pelo autor. E existem os cenários paralelos, que se modificam de acordo com a vivência de cada personagem-narrador dentro da Livraria.
Essa alternância também proporciona ver o mundo e a leitura sobre diferentes pontos de vista, mas todos eles escritos com muita responsabilidade e respeito. Alfer Medeiros soube tocar em temas como velhice, ganância, morte, deficiência física, superficialidade, doença e muitos outros com sinceridade, mas também com cuidado.
Todo a história em si está muito leve e divertida. Várias passagens fazem rir, e outras emocionam, e acredito ser impossível não se “ver” em uma ou outra passagem, ou principalmente, não morrer de vontade de ir parar lá dentro por alguns instantes.
O “objeto livro” certamente irá despertar o maior número de sensações possíveis, mas eu particularmente acho o livro mais belo feito pela Editora Estronho até agora.
Não existe capa, e para proteger o impresso o livro vem com uma capinha que faz alusão aos antigos livros de capa dura de couro e letras trabalhadas em dourado, com incríveis detalhes, agora por dentro que está a verdadeira beleza.
As páginas são de um cuidado impressionante, as folhas amareladas juntos com as letras adornadas e as bordas quase barrocas no início de cada capítulo deixaram a obra com um ar antigo e leve ao mesmo tempo. As palavras que melhor definem a diagramação é a simplicidade e o bom gosto.
Do lado de fora se pode ver a costura das páginas, e as folhas iniciais e finais são um pouco mais grossas para não prejudicar o exemplar.
A Editora Estronho, nessa obra, veio validar sua chamada “...tudo até literatura” com uma obra totalmente diferente de seu repertório já publicado, e Alfer Medeiros nos mostra que não é escritor de um único gênero.

Para entender na prática, no blog do livro você encontra um capítulo extra (que posteriormente foi colocado no livro) e muitas outras curiosidades sobre essa obra, inclusive o Manual do Livreiro Limítrofe que também está no fim do livro.

Para adquirir, é só entrar na loja on-line da estronho, e adquirir seu exemplar junto com um lindo marcador e botom.

A editora também disponibiliza um arquivo para degustação e você encontra muito mais no blog do livro livrarialimitrofe.blogspot.com.





quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Ethernyt: A Guerra dos Anjos


Autor: Márson Alquati
Giz Editorial 2009
Coordenação editorial: Ednei Procópio
Supervisão editorial: Simone Mateus
Editoração eletrônica e capa: Regiane Wagner Jorge
Revisão: Janaina Azevedo
Impressão: PROL Gráfica




Um enredo incrível.

Um livro que promete algo novo e cumpre com o que foi dito é "Ethernyt: A Guerra dos Anjos" sendo na verdade o primeiro livro de uma trilogia que, apesar do tema aparentemente batido “guerra entre anjos e demônios”, é dotado de uma grande criatividade e tem umas das histórias mais bem encaixadas e pensadas que já li nos últimos tempos.
O livro um da saga, poderia ser divido em duas partes. A primeira metade é um jogo de quebra cabeças ou “caça ao tesouro”, onde a leitura caminha por momentos de aventura e ação, entrecortados por sequencias de pistas e mistérios que levam uma a outra na busca de respostas, até então, a cerca de um assassinato com aparência de ritual satânico que ocorre logo no começo da história. A magia desta primeira metade do livro está nos lugares que são desbravados assim como a nossa aproximação e familiarização com os personagens principais. São lugares aparentemente comuns em diferentes cantos do mundo que escondem segredos e detalhes desvendados pelos venturosos protagonistas.
A segunda metade do livro tem uma cadência muito mais rápida e ritmada, não havendo baixas ou momentos de menor tensão. E também é nesse segunda metade que muitas verdades vem à tona, inclusive os tão inesperados anjos e demônios à vista na plenitude criativa e nova do autor. Nessa segunda metade as viagens por outros cantos do mundo (e quem sabe até do universo) continuam, culminando no verdadeiro ápice da trama.
Márson Alquati fez um trabalho muito bom relativo a dados técnicos e históricos que permeiam a história. Para os aficionados em armas o arsenal é imenso, com detalhes sobre alcance, capacidade de disparos, local de ondem provem, peso, dados a cerca dos projéteis utilizados em cada arma e tudo mais que se puder falar sobre poder de fogo. No quesito histórico/geográfico existe uma pesquisa invejável sobre terreno, temperatura, construções e grandes personalidades da história antiga e moderna, e em alguns casos até de fauna e flora. Mas o autor não se deu por satisfeito com essa enciclopédia gerada por falas de diferentes personagens, pois ainda há descrições de helicópteros, jatinhos e alguns carros. Porém, essas informações técnicas foram muito bem colocadas para atribuir (acredito eu) veracidade à obra. Não se tornando enfadonha ou excessiva.
Para os fãs de aventura, como foi dito, além das lutas com armas de fogo, há batalhas com armas brancas e perseguições via terrestre e aérea.
Os questionamentos da obra são frequentes, toda religião e seu surgimento, até o nascimento da própria humanidade, além de lidar com várias versões do sistema que pune e oprime, ou exalta e ascende indivíduos por diferentes motivos e nem sempre justos.
Não, não chega a ter um romance, mas quase.
Mas o que não falta é sangue. Não violência barata ou membros e cabeças voando, apenas uma parcela rubra e cruel que é imprescindível às aventuras de tirar o folego.
Então, vamos falar dos personagens. Todos são incrivelmente carismáticos e de personalidades muito diferentes, mas o que prevalece na obra é o bom humor, que parte tanto da atitude leve e cômica dos protagonistas, como também de atitudes aparentemente drásticas mas que soam engraçadas para o leitor (e o campeão nesse quesito é o agente Thomas, o personagem principal que vive em uma balança entre a brutalidade e o escárnio). E como não podia ser diferente, o grupo de “heróis” provêm dos mais diferentes cantos do mundo. A construção de cada um beira muito o personagem “tipo” onde as atitudes costumam seguir uma mesma linha de raciocínio e estratégia em cada um, com defeitos e fraquezas, mas poucas mudanças reais de opiniões, há não ser as extremamente necessárias. A personagem que me pareceu mais “humana” e inconstante na verdade é a coadjuvante Angelina, que surpreende não só os outros personagens como o leitor.
Neste livro o bem e mal aparecem muito bem separados e quase solidificados em relação aos seres sobrenaturais, porém os anjos demonstram muito mais vícios e problemas em suas personalidades dos que os demônios que parecem bem mais previsíveis. Mas mesmo assim, muito diferentes do que estamos acostumados a conhecer.
A capa, como se pode ver, é bem bonita e sem muitos segredos, mas é suficiente pois não revela em nenhum momento o que se encontrará dentro do livro, além do previsto é claro.
Não peguei erros de revisão – mesmo que eu não seja nenhuma revisora e nem fiquei prestando atenção nisso, mas quando há esse mérito é sempre bom falar - , então a Giz Editorial e a Janaina Azevedo estão de parabéns (mesmo eu achando que no começo tem umas vírgulas demais, o que não compromete a qualidade da obra).

Mais informações sobre “Ethernyt – A Saga dos Anjos” você encontra aqui: Ethernyt
assim como informações de onde adquirir, outras resenhas e muito mais.

A qualidade deste primeiro livro da trilogia de Márson é de uma qualidade inquestionável para os mais diferentes públicos da literatura fantástica ou da simples velha e boa literatura.
Um obra muito recomendada feita com muito cuidado e dedicação, mostrando incluse um grande respeito do autor para com o público.
E eu, logo vou atrás do segundo livro da saga e volto pra contar como é.




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