Ethernyt: A Guerra dos Anjos


Autor: Márson Alquati
Giz Editorial 2009
Coordenação editorial: Ednei Procópio
Supervisão editorial: Simone Mateus
Editoração eletrônica e capa: Regiane Wagner Jorge
Revisão: Janaina Azevedo
Impressão: PROL Gráfica




Um enredo incrível.

Um livro que promete algo novo e cumpre com o que foi dito é "Ethernyt: A Guerra dos Anjos" sendo na verdade o primeiro livro de uma trilogia que, apesar do tema aparentemente batido “guerra entre anjos e demônios”, é dotado de uma grande criatividade e tem umas das histórias mais bem encaixadas e pensadas que já li nos últimos tempos.
O livro um da saga, poderia ser divido em duas partes. A primeira metade é um jogo de quebra cabeças ou “caça ao tesouro”, onde a leitura caminha por momentos de aventura e ação, entrecortados por sequencias de pistas e mistérios que levam uma a outra na busca de respostas, até então, a cerca de um assassinato com aparência de ritual satânico que ocorre logo no começo da história. A magia desta primeira metade do livro está nos lugares que são desbravados assim como a nossa aproximação e familiarização com os personagens principais. São lugares aparentemente comuns em diferentes cantos do mundo que escondem segredos e detalhes desvendados pelos venturosos protagonistas.
A segunda metade do livro tem uma cadência muito mais rápida e ritmada, não havendo baixas ou momentos de menor tensão. E também é nesse segunda metade que muitas verdades vem à tona, inclusive os tão inesperados anjos e demônios à vista na plenitude criativa e nova do autor. Nessa segunda metade as viagens por outros cantos do mundo (e quem sabe até do universo) continuam, culminando no verdadeiro ápice da trama.
Márson Alquati fez um trabalho muito bom relativo a dados técnicos e históricos que permeiam a história. Para os aficionados em armas o arsenal é imenso, com detalhes sobre alcance, capacidade de disparos, local de ondem provem, peso, dados a cerca dos projéteis utilizados em cada arma e tudo mais que se puder falar sobre poder de fogo. No quesito histórico/geográfico existe uma pesquisa invejável sobre terreno, temperatura, construções e grandes personalidades da história antiga e moderna, e em alguns casos até de fauna e flora. Mas o autor não se deu por satisfeito com essa enciclopédia gerada por falas de diferentes personagens, pois ainda há descrições de helicópteros, jatinhos e alguns carros. Porém, essas informações técnicas foram muito bem colocadas para atribuir (acredito eu) veracidade à obra. Não se tornando enfadonha ou excessiva.
Para os fãs de aventura, como foi dito, além das lutas com armas de fogo, há batalhas com armas brancas e perseguições via terrestre e aérea.
Os questionamentos da obra são frequentes, toda religião e seu surgimento, até o nascimento da própria humanidade, além de lidar com várias versões do sistema que pune e oprime, ou exalta e ascende indivíduos por diferentes motivos e nem sempre justos.
Não, não chega a ter um romance, mas quase.
Mas o que não falta é sangue. Não violência barata ou membros e cabeças voando, apenas uma parcela rubra e cruel que é imprescindível às aventuras de tirar o folego.
Então, vamos falar dos personagens. Todos são incrivelmente carismáticos e de personalidades muito diferentes, mas o que prevalece na obra é o bom humor, que parte tanto da atitude leve e cômica dos protagonistas, como também de atitudes aparentemente drásticas mas que soam engraçadas para o leitor (e o campeão nesse quesito é o agente Thomas, o personagem principal que vive em uma balança entre a brutalidade e o escárnio). E como não podia ser diferente, o grupo de “heróis” provêm dos mais diferentes cantos do mundo. A construção de cada um beira muito o personagem “tipo” onde as atitudes costumam seguir uma mesma linha de raciocínio e estratégia em cada um, com defeitos e fraquezas, mas poucas mudanças reais de opiniões, há não ser as extremamente necessárias. A personagem que me pareceu mais “humana” e inconstante na verdade é a coadjuvante Angelina, que surpreende não só os outros personagens como o leitor.
Neste livro o bem e mal aparecem muito bem separados e quase solidificados em relação aos seres sobrenaturais, porém os anjos demonstram muito mais vícios e problemas em suas personalidades dos que os demônios que parecem bem mais previsíveis. Mas mesmo assim, muito diferentes do que estamos acostumados a conhecer.
A capa, como se pode ver, é bem bonita e sem muitos segredos, mas é suficiente pois não revela em nenhum momento o que se encontrará dentro do livro, além do previsto é claro.
Não peguei erros de revisão – mesmo que eu não seja nenhuma revisora e nem fiquei prestando atenção nisso, mas quando há esse mérito é sempre bom falar - , então a Giz Editorial e a Janaina Azevedo estão de parabéns (mesmo eu achando que no começo tem umas vírgulas demais, o que não compromete a qualidade da obra).

Mais informações sobre “Ethernyt – A Saga dos Anjos” você encontra aqui: Ethernyt
assim como informações de onde adquirir, outras resenhas e muito mais.

A qualidade deste primeiro livro da trilogia de Márson é de uma qualidade inquestionável para os mais diferentes públicos da literatura fantástica ou da simples velha e boa literatura.
Um obra muito recomendada feita com muito cuidado e dedicação, mostrando incluse um grande respeito do autor para com o público.
E eu, logo vou atrás do segundo livro da saga e volto pra contar como é.




Comentários

  1. Maravilhosa resenha, Carol! Simplesmente a melhor e mais completa resenha deste primeiro livro da Trilogia Ethernyt, na minha opinião!
    é uma grande honra ter meu modesto trabalho tão bem divulgado em seu excelente blog!
    Mal vejo a hora de conhecer a sua opinião sobre os outros livros da série!
    Obrigado e um forte abraço!

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  2. Nossa Márson, obrigada. Obrigada mesmo. Fiquei sem palavras agora. Mas seu livro é muito bom, e só quis deixar claro minha opnião.
    Grande abraço.

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Entrevista na Editora Coerência