quinta-feira, 31 de março de 2011

EXTRANEUS VOL. 2 – Quase Inocentes

    
    Perto de Extraneus Vol. 1 – Medieval e Sci-Fi (o livro responsável por me fazer apreciar ficção cientifica) não achei inicialmente a temática tão estranha ou inovadora, mas ao Estronho e a tantos nomes de peso dentro da antologia é sempre bom dar crédito. E este por sua vez, foi muito bem recompensando.
     A capa que lembra desenho de lousa (quadro negro) é realmente uma graça – sem falar no bóton, mas isso é outra historia. O livro tem as divisões dos contos em papel preto com um capricho especial. E as folhas são mais amarelinhas e grossas, de boa textura.
     Ao ler o prefácio de Martha Argel me perguntei: “Então será que por aqui tem novidade mesmo?” Pois é. Tem.
     A primeira história “Dentinho” da grande Georgette Silen, tem a dose exata de tensão e suspense, e de dissimulação e frieza da personagem principal.Uma garota anjinho que abre muito bem a antologia.
     O segundo conto “Criança Noturna” trás outro titan da literatura fantástica. Giulia Moon nos da uma história no seu poderoso estilo vampiresco – se você leu Kaori-Perfume de Vampira, sabe do que eu estou falando.
     Para continuar em pleno vapor, M.D.Amado nos traz “Corações Negros” cuja receita consiste em meninas más e perturbadas, seqüências cortadas como um quebra cabeça e uma maldição (entenda por receita um conjunto de idéias muito bem misturadas e não apenas uma fórmula). O tempero é o toque inesperado sempre presente em sua escrita.
    “Vestido Cor-de-rosa” de Camila Fernandes é diferente de qualquer coisa que pensei encontrar após esses contos fantásticos. Crítica social, ambientação nos marginalizadas. Cheia de poesia. Uma história que me emocionou por completo.
    “A Revelação Kynga” de André Bozzeto Jr. ganha o leitor pelo suspense. A história em si e as loucuras de seus personagens revelam o mistério de um modo caótico e incrível. E não falta sangue e cenas horripilantes para ganhar a imaginação.
     Luciana Fátima, fez uma história fantástica, ilusória, urbana, sombria e noturna. “Guardian Angel” é feito por cenas cortadas, todas muito fortes. Li duas vezes para ter a certeza de não ter perdido nada. Me deixou com a sensação de queixo caído.
     Então, no conto “Presente de Berenice” (que já me remeteu a uma de minhas histórias favoritas de Poe só pelo título) surge outro titan, Adriano Siqueira. Uma história surpreendente por sua simplicidade e ao mesmo tempo, ousadia. É de chorar de rir. Eu faria um curta em desenho animado desse conto com certeza. Fica a dica.
     Lucas Rezc , com seu conto “Loucos, Ocos, Passos de Sopros” me conquistou por dois motivos: O primeiro e muito particular é que tenho grande apresso por histórias que se passam em pleno mar. O segundo motivo é que seu conto tem aquele jeito particular de se assemelhar a uma lenda da qual nunca se ouviu falar até então, junto com uma loucura quase etérea que acontece aos personagens de Poe. Parece aquele tipo de história que se conta em volta da fogueira.
     “O Grande Estopim para a Vida Criminosa de Alice Carmosim” de Luísa Vianna, tem esse titulo que me lembrou filmes de mafiosos, ou de bandidos e detetives nos anos trinta. Mas a história realmente é o que o título diz, o que deu início à vida criminosa da personagem. De todos os contos á que tem o personagem mais cruel, frio e mimado. Psicopata por psicopata. Seja de nascença ou pelo trauma vivenciado.
     “Brincadeiras de Criança” de Juliano Sasseron, nos leva para dentro do personagem com força e intimismo. Difícil não se apegar. Aqui as emoções são todas levadas ao extremo e à inconseqüência infantil. Uma história muito real.
     Saindo totalmente de qualquer possibilidade de padrão, “Os Servos de Thoth” de Ana Lúcia Merege, é a história mais bizarra do livro. E aqui a palavra “bizarra” é empregada em ótimo sentido. Ela se passa na época dos faraós e tem tudo de excêntrico: a época, a descrição do local, os personagens e seus nomes. É uma aventura cruel e cheia de aventura.
    Celly Monteiro em “O Poço das Harpias” também me lembrou Poe na primeira metade do conto em que há aquela sensação de se ter um pesadelo acordado, presente nos bons filmes de horror também. A segunda metade já é inacreditável. Até podemos dizer, grotesca. Tão fantástica que para ler o próximo conto é necessário parar para respirar. E sim, as harpias aparecem, não é metafórico. (Opa. Será que eu deveria ter contado?).
    “Reversões” tem um cenário incrível e uma receita muito boa também. Crianças muito cruéis, uma cidadezinha do interior e gatos. Um conto muito bem escrito onde Andrés Carreiro Fumega da o recado com maestria.
    O penúltimo conto “Duas crianças, Duas Chaves” de Felipe Pierantoni nos leva à lugar e tempo perdidos. Porém para dentro de algo que o mundo conhece muito bem: A guerra. Uma história que leva você a ler até o fim e de uma única vez na busca do desfecho.
    O último conto é da escritora e também amiga Suzy M. Hekamiah. “Caindo no Despertar” é de um encanto singular. Seus personagens, o cenário, cada momento tem aquela beleza melancólica. Aquele jeito especial de tornar cada cena palpável. Um clima frio, mistério e infinito, acho que é uma das formas mais apropriadas de tentar falar sobre esse conto.
    Assim, fica claro que o livro feito em parceria da Editora Literata e do (até então) Selo Estronho, é uma ótima leitura e uma necessária aquisição, pois pode ter certeza, você irá querer lê-lo novamente.
    Maiores informações e aquisição: Editora Estronho - Série Extraneus

Nota 01: Em breve falo sobre o lançamento.
Nota 02: Preciso escrever sobre o volume 1 que é simplesmente fantástico.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Rosto Sharon

Isso faz tanto tempo (2005), que eu nem tinha pseudônimo ainda. rs

Rosto de Sharon den Adel, ampliado em close da capa do cd Enter, banda Within Temptation.

Materiais:
Lápis, lapiseira, borracha.

Capa original:














A reprodução:


sexta-feira, 11 de março de 2011

As Bodas de Fígaro

O legal quando você desenha é que seus amigos adoram lhe pedir coisas. E isso é ótimo porque sempre chegam pedidos estimulantes, cheios de novos ares pra se arriscar.

Foi de um jeito bem descontraído que a atriz e cantora Roseane Soares (uma amiga muito querida) me pediu para fazer uma filipeta de divulgação da Opereta da qual ela participava da montagem. Opereta porque na verdade, a montagem não era do texto integral, e sim uma adaptação, e com a metade do tempo (duas horas em vez de quatro).

Foi um trabalho gostoso e leve (como espero que a imagem possa mostrar).

Assisti cenas da Opera e ouvi suas músicas. Fiz algumas pesquisas à cerca do tema e da época em que se passa a comédia “As Bodas de Fígaro” de Wolfgang Amadeus Mozart, (e seu fio condutor, a satirizarão dos hábitos da família real).
Para finalizar, tentei passar para o papel a sensação de que os atores eram todos jovens.

Leveza e graça foram meus pontos de fuga no horizonte do papel.

Nem tudo são flores: infelizmente por um desentendimento no grupo a filipeta não foi utilizada, ela foi substituída antes mesmo se ver vista pelos cantores da Opereta.
Bom, tem certas coisas que não cabem ao mero ilustrador. rs

Mas o lado bom é que foi um trabalho diferente onde brinquei com os materiais: Meus fiéis lápis de cor e caneta preta. A finalização foi no photoshop.
Sim, eu seria banida de qualquer escola de artes pela mistura, mas que seja julgado o resultado (afinal, minha formação é cênica mesmo).






E o resultado final:



Viagem na Leitura - Infantil, o caminho da abstração.

O motivo da inspiração/exercício eu não posso dizer ainda, mas talvez tenhamos novidades...

Por enquanto:
Processo de abstração e desconstrução.

Durante a faculdade aprendi em aulas de história da arte sobre como a arte (plástica no caso) caminhou para a desconstrução, para a abstração de suas formas, onde o intuito da expressividade é o seu motor e não a representação exata do mundo como víamos anteriormente onde pintores exímios e de muito estudo e técnica eram contratados para pintar a família real, ou uma ou outra personalidade de bens que pudesse pagar pelo seu retrato.
Com o passar do tempo e não havendo mais a mesma necessidade para esses retratos devido a fotografia os pintores mudaram sua forma de trabalhar e seus motivos.
A fotografia não só libertou o artista de sua função reprodutora como mostrou novas formas de ver o mundo. O expressionismo e o impressionismo são isso.
Por outro lado, (e posteriormente) movimentos como o dadaísmo e o surrealismo puderam ir além, sua expressividade muitas vezes aparentemente primitiva é cheia de significados, teorizados ou não. Já, o romantismo, deixou o fervor das emoções dominar o pincel e a tinta sobre a tela, violência, voracidade, rapidez, a intenção e sensações do pintor não se resumiam no “que” exatamente ele pinta, mas também no como, no processo.

Tudo isso para voltar à abstração. Ela é lenta, vagarosa. Não se desconstrói uma idéia, ou se esquiva das técnicas e padrões facilmente. Para voltar a ser e ver o mundo e a arte através de olhos infantis e mesmo assim não partir para rabiscos vazios de sentido, exige certo desprendimento e repetição.

Pode parecer bobo, e de certa maneira, depois dos primeiros, fica mais fácil, e confesso, muito divertido.

Divido um pouquinho do que ando aprontando no papel.
Ainda sem scanner, continuo fotografando.


Viagem na Leitura






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