segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Livraria Limítrofe: O Adeus

O livro sem capa.

Autor: Alfer Medeiros
Diagramação: M. D. Amado
Editora responsável: Celly Borges
Revisão: Celly Borges
Editora Estronho
Selo Fantas.




Para quem vem acompanhando os trabalhos da praticamente recém-nascida Editora Estronho, sabe que o que ela vem desenvolvendo é de uma qualidade gráfica e criatividade impressionantes. Mas ousadia tem limite? Se tem, Marcelo Amado e sua parceira Celly Borges ainda não chegaram lá, pois desde o anunciado do lançamento do primeiro livro do Selo Fantas, já se prometia mais uma “loucura”: um livro sem capa.
Para entender melhor esse projeto, vamos falar antes sobre o que é o Selo Fantas. Celly Borges presente como revisora na Editora Estronho já há algum tempo, agora dirige um selo cujo nome foi inspirado em seu blog: Mundo de Fantas, com resenhas de livros, dicas sobre leitura, promoções entre outros. O “Selo Fantas” então veio com a proposta de trazer para dentro do universo esquisito da editora, um canto para a literatura juvenil. E “Livraria Limítrofe” do Alfer Medeiros é sua primeira obra.
(Então “Livraria Limítrofe” é um livro para crianças e adolescentes? Não! Ele também é para esse público, mas não somente.)
Alfer Medeiros (autor de “Fúria Lupina”, um livro forte em diversos aspectos) aparentemente de maneira um tanto despretensiosa criou a fantasia que rege esse livro, que tem duas grandes motivações – propositais ou não.
A primeira é que o livro refere-se a muitas outras obras dos mais diferentes universos da literatura que saltam do papel até que os enxerguemos com características de personagens e autores de todas as épocas, porém, sem citar-lhes os nomes. Isso, para um leitor de um único gênero ou poucos, cria a identificação com um ou outro “capítulo” do livro; e para o leitor que devora de tudo, irá rir e se divertir muito com diferentes passagens que tocam os mais diversos gêneros.
Em segundo lugar, o mundo que se desbrava e se renova a cada página do “Livraria Limítrofe” é tão mágico e pungente que quem não está acostumado à leitura logo irá querer buscar maiores fontes para seu divertimento e, porque não, conhecimento. Agora, não é necessário ter nenhuma bagagem para entender a história, pois cada momento único é dotado de aventura particular e tem seu próprio clímax e desfecho.
Cada “capítulo” do livro é uma pequena história contada em primeira pessoa que consiste na experiência vivida por um personagem dentro da Livraria Limítrofe, um lugar regido por magia onde todos os conhecimentos literários daquele que a visita tomam formas ou ganham vida bem diante de si.
Cada personagem-narrador, tem uma personalidade única e justamente por isso, diferentes repertórios que são personificadas dentro da Livraria, onde é claro, só entra um visitante por vez.
Então podemos dizer que existe o cenário fixo, que é realmente a Livraria e tudo que há dentro dela como manuais, livros de verdade, passagens secretas, um aquário entre outras peculiaridades criadas pelo autor. E existem os cenários paralelos, que se modificam de acordo com a vivência de cada personagem-narrador dentro da Livraria.
Essa alternância também proporciona ver o mundo e a leitura sobre diferentes pontos de vista, mas todos eles escritos com muita responsabilidade e respeito. Alfer Medeiros soube tocar em temas como velhice, ganância, morte, deficiência física, superficialidade, doença e muitos outros com sinceridade, mas também com cuidado.
Todo a história em si está muito leve e divertida. Várias passagens fazem rir, e outras emocionam, e acredito ser impossível não se “ver” em uma ou outra passagem, ou principalmente, não morrer de vontade de ir parar lá dentro por alguns instantes.
O “objeto livro” certamente irá despertar o maior número de sensações possíveis, mas eu particularmente acho o livro mais belo feito pela Editora Estronho até agora.
Não existe capa, e para proteger o impresso o livro vem com uma capinha que faz alusão aos antigos livros de capa dura de couro e letras trabalhadas em dourado, com incríveis detalhes, agora por dentro que está a verdadeira beleza.
As páginas são de um cuidado impressionante, as folhas amareladas juntos com as letras adornadas e as bordas quase barrocas no início de cada capítulo deixaram a obra com um ar antigo e leve ao mesmo tempo. As palavras que melhor definem a diagramação é a simplicidade e o bom gosto.
Do lado de fora se pode ver a costura das páginas, e as folhas iniciais e finais são um pouco mais grossas para não prejudicar o exemplar.
A Editora Estronho, nessa obra, veio validar sua chamada “...tudo até literatura” com uma obra totalmente diferente de seu repertório já publicado, e Alfer Medeiros nos mostra que não é escritor de um único gênero.

Para entender na prática, no blog do livro você encontra um capítulo extra (que posteriormente foi colocado no livro) e muitas outras curiosidades sobre essa obra, inclusive o Manual do Livreiro Limítrofe que também está no fim do livro.

Para adquirir, é só entrar na loja on-line da estronho, e adquirir seu exemplar junto com um lindo marcador e botom.

A editora também disponibiliza um arquivo para degustação e você encontra muito mais no blog do livro livrarialimitrofe.blogspot.com.





5 comentários:

  1. Muito legal a resenha, comentando desde o aspecto físico até o conteúdo, sem spoiler, mas deixando água na boca. Eu já me encantei pelo Manual do Livreiro Limítrofe, agora a vontade só aumentou.

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  2. Gostei da resenha e da versatilidade do Alfer. Um escritor que promete!

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  3. A Carol é especialista em falar bastante de uma obra, sem soltar um spoilerzinho sequer. Isso é uma qualidade para poucos.

    Agradeço o espaço cedido à Livraria Limítrofe e também as artes originais oferecidas de presente (logo, logo, disponibilizarei no blog).

    Um abraço.

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  4. Parabéns, mano Alfer!

    Você é um cara batalhador e merece seu espaço no coração dos leitores e na selva de letras que é nosso mercado editorial!

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