sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O Castelo Montessales

Um castelo, um fantasma, uma família.

Autora: Susy Ramone
Capa: Adriano Siqueira
Ilustrações miolo: Rochett Tavares
Revisão: Georgette Silen
Diagramação: D.E.S.
Prefácio: Alfer Medeiros
Editora Literata




O livro, tanto por sua sinopse da quarta capa, quanto no blog em questão, se apresenta como uma história libidinosa, cruel, soturna e mais, ele lhe prepara para o choque de um grande tabu em nossa sociedade que são os relacionamentos sexuais entre familiares, mais precisamente entre pais e filhos, ou entre irmãos. Diante essa propaganda, certo calafrio, incomodo e muita curiosidade (e receio) surgem no estomago feito um sopro gelado, uma chama fria que inquieta antes da leitura.
Abre-se o livro, e um pouco mais do terreno do castelo é situado através do prefácio de Alfer Medeiros, onde “um aquário com mais peixes do que seria aconselhável”, - seguindo as palavras dele – é nos oferecido com alguns flashes da vida destes personagens trancafiados por uma redoma sobrenatural e misteriosa, nas mãos de um carrasco espectral e indomável.
Mas não, eu não digo isto deste livro.
Esta história é sobre outra cousa. Ela fala sobre a adversidade, sobre a solidão entre iguais, sobre o amor, mas principalmente sobre a coragem, sobre a esperança, sobre o dialogo e sobre família. A crueldade aqui, entre os seus, entre os humanos, é vinda pelas mãos desespero, e não pela maldade pura ou pela arrogância. Aqui, entre as paredes do castelo perdido em algum lugar de antigas terras (provavelmente portuguesas), o tempo que corre acelerado, é também o tempo do sofrimento, do abuso, da falta de sorte, de uma maldição, mas também é onde se cuida dos seus, na mais completa adversidade. Sim, as necessidades básicas como alimento e eletricidade são supridas por esse ser mesquinho e sádico, mas tudo o mais é plantado por eles, e para os seus, a educação, a leitura, o cuidar de que exista o mínimo de conforto no caos desse fechado universo, trancado por segredos e promessas de séculos atrás.
O romance é dividido em três partes (além dos capítulos), onde primeiro conhecemos essa atual geração, que vive no hoje sobre os ataques deste fantasma que tem como único intuito o abusar das mulheres, e que busca um modo de esclarecer tudo que há, através de uma conversa à muito adiada; o segundo é a revelação de um passado, onde a magia, que é o conhecimento das forças da natureza, é abolida durante a inquisição, em Portugal, e onde todo o mal teve início; e no terceiro, temos novamente a geração do hoje lutando por sua sobrevivência em meio a mais revelações e sofrimento e morte.
No primeiro momento, tantos nomes e diferentes personagens/narradores nos deixam um tanto confusos, mas é preciso se desapegar desta primeira lacuna e se concentrar no que interessa de fato, a história que essas narrações nos trazem. A escrita da Susy Ramone é rápida, veloz. Ella não nos prepara para o que virá, não há rodeios ou firulas, é direto ao ponto, um soco no estomago. Já no segundo momento da trama, a presença de um personagem/narrador fixo facilita o envolvimento com os acontecimentos, e o que parecia ser uma trama apenas de fantasma, ganha novos ares. Surge o segundo elemento fantástico, a bruxaria, que é tanto o conhecimento da energia, quanto do universo. Quando chegamos à terceira parte, o livro ganha ação e velocidade, tudo ocorre muito rápido na urgência de se garantir a sobrevivência. Aqui, nascem mais erros das atitudes destes personagens, alguns definitivos e inesquecíveis, daqueles que ficam marcados a fogo na alma dos que os cometem, assim como vêm as perdas dos muito queridas e o fortalecimento dos seus laços, e também o restabelecimento da confiança que só a verdade compartilhada e o fim dos segredos é capaz de plantar. Florescem aqui, o bem, e do outro lado, o mal ganha mais ferocidade e audácia, não tendo nada a perder.
Na prática, toda a libidinagem do drama, apesar de ser dita, não é descrita (não na grande maioria dos casos), o que choca aqui, então, é muito mais o conceito e as palavras veladas, do que a cena. Isso torna a leitura apta para o mais retrogrado e conservador leitor, por isso digo que, apesar de toda a tortura, crueldade, sangue e sexualidade frívola da história, o TEXTO não é erótico ou sádico, o que é muito bom. Pois aqui, o que vale é o conceito, é o que o livro nos passa em suas entrelinhas.
O Castelo Montessales é diferente de tudo que já li, pois ele, conforme ganha páginas, entra no diferente e no imaginável. A leitura é prazerosa e muito rápida. Ao fim, tive a sensação de que não havia lido um livro, mas visto um filme com peso, de ambientação soturna, que me entreteve e me tirou do meu lugar comum. Uma história que vai muito além da sinopse.
Apesar de todos os pontos positivos no livro, ele precisa de ajustes. Primeiramente uma nova revisão com separações mais claras entre a narração de cada personagem, pois com a alternância entre narrador, narrador/personagem, narrador, somada a escrita veloz e direta, já seria um bom exercício de compreensão de um efeito que eu, particularmente, gosto, porém, do modo que está, saímos da necessidade de adaptação da leitura para um esforço que nos afasta da história. Isto também se soma a diagramação que poderia abusar um pouco mais dessas trocas ajudando a esclarecê-las e contribuir para o valor físico do livro. A capa, apesar do tom enigmático, não nos liga ao que é o universo Montessales, deixando faltarum certo “que” que se assemelhe a história. O livro, de 165 páginas, precisa ter fisicamente uma aura mais próxima do que a autora nos propõe com seu romance. São pequenos ajustes que, não são o elemento principal, mas colaborariam e muito para o todo que se apresenta.
Encerro, dizendo que fui surpreendida todo o tempo pelo que lia. Que a escrita da Susy Ramone é gostosa, fruída, tangível. Um livro que me ganhou no decorrer de cada página por ser nada daquilo que eu esperava. Um surpresa e tanto de elementos fantásticos e sobre como eles se apresentam e podem ser entrelaçados para contar uma história que vai muito além de violência e temor. Uma história que nos confere à esperança, como uma flor que nasce em meio ao caos da poluição, que é o mal, e o concreto, que é a dor.

Mais sobre este arrepiante livro no blog: montessales.blogspot.com.br

VII Demônios Vol. 1 Inveja-Leviathan

O veneno da sanidade. A doença antiga.

Ilustração de Capa: Pieter Brueghel
Ilustrações internas: Gustave Doré, Lileya e Diana DK 
Capa e diagramação: M. D. Amado 
Revisão: Celly Borges 
Editor responsável: M. D. Amado 
Editora Estronho 
Vários autores



Rafael Montes: “As Irmãs, Valia, Velma e Vonda” 
Donde brota a inveja? Ela deseja aquele que tem, ou aquilo que pertence ao outro. Até onde vai o querer ser outro? Rafael Montes, trás no seu conto, que abre a antologia, personagens que se descobrem a medida que também nos são reveladas e os sentimentos crescem, seguindo por um caminho confuso, difícil de entender, assim como o tal sentimento obscuro. E chega então a crueldade para fazer valer o sofrimento. Aqui, essas três irmãs tem para si um final inacreditável, escritas por linhas tortas, mentirosas e maculadas com sangue. 

Richard Diegues: “O Ferro é Palha, o Bronze Pau Podre” 
Aqui, o autor nos brinda outra vez com seu, já costumeiro, texto peculiarmente bem escrito e lapidado. Pensado em cada detalhe, de falas certeiras que envolvem e aprisionam. Uma história que na verdade é uma passagem. Uma fantasia junto à distopia. Uma criatura demoníaca junto a alguém que muito deseja e nada tem a perder. 

Fabiane Guimarães: “Duas Vezes Ana” 
Pode seu outro, igual a ti, invejar o que é? Nesta história a confusão entre real e imaginário, entre as nuances de uma mente perturbada ou uma criatura espectral e soturna conduzem a história. É fácil se apiedar do mal e daquele que sofre. É impossível distinguir. Mas a inveja destruidora está lá, matando e mentindo como o torto reflexo de uma mente turva no espelho. 

Valentina Silva Ferreira: “Chora, Mia, Chora” 
Neste conto a autora não poupa sangue e crueldade para os atos de sua personagem. O cotidiano da loucura que é matar pela inveja, assemelha-se a cozinhar. Para sua personagem principal não há limites, nem lugar certo onde chegar, há apenas o caminhar, o fazer, o ato continuo, quase ininterrupto de se vingar, de se fazer valer, de velar sua indignação, seu vazio, seus sentimentos angulares e cruéis. Uma vontade que nunca será saciada, mas que precisa de alimento constante em seguidas noites de rios de sangue e pó de putrefação. 

Davi M. Gonzales: “Pablo, Meu Querido Irmão” 
Esta história começa de uma forma totalmente diferente, assemelhando-se a um relato de um estudioso sobre certo poder místico. E depois, vai para o ceio de uma família, onde dois irmãos enfrentam um mal do qual parece não haver escapatória, provindo de uma inércia constate e fatídica que acomete um deles. Muito é feito, muito mais ainda é ignorado. E a vida segue. Quando menos se espera a revelação é feita. Cruel, fria, aniquilando as esperanças, e aqui, a inveja vence em uma sinfonia teatral. 

Lemos Milani: “Inumana” 
Se a inveja é um sentimento humano, demoníaco ou animalesco, ela poderia ser também provinda de um ser inanimado? Mas caso isso fosse possível, não passaria esse que a tem, a ser tão humano quanto aqueles que lhes despertam tal sentimento? Passado tal estranhamento, o que temos é o terror, aquele mais antigo, aquele mais ardiloso, que é não se saber ter um inimigo que lhe espreita e que, não podendo ter aquilo que deseja, se vinga. A história de uma família é vista aqui sobre outro ponto de vista, uma espectador comum a todos, mas silencioso e que trás arrepios em uma trama que se encerra de um modo cruel e forte. 

Evandro Guerra: “O Círculo do Demônio” 
Mais um laço familiar se quebra. Apesar de algumas criaturas aparecem e sumirem do texto sem que se entenda bem o porquê, (afinal podiam ser simples guerreiros inimigos), mas esse estranhamento passa logo no começo, e o que de fato importa tem início. Um toma o lugar do outro, mas não como se imagina, não por ser cruel. Tudo então é o contrário. Aquele que perde, perde não pelo desejo do outro, e sim por suas próprias falhas, por seu próprio egoísmo ou talvez, orgulho. E então, a inveja nasce para aquele que perdeu. As vozes sopram em sua mente. Nada é exatamente o que parece ser nesta história muito bela e tocante. 

Eriwelton Alves: “Desejo de Pecar” 
Criaturas. Um conto de terror, muito bem arquitetado e de arrepiar, onde se ganha o que se deseja, a um preço incrivelmente alto. A inveja aqui, porém, ao menos no personagem principal é motivada pela vontade de vingar-se. Um diferencial dos outros contos onde a inveja é que faz nascer a aniquilação daquilo ou daquele que se deseja. Em “Desejo de Pecar” o que há, é um ser bom que, embebido pela dor e pela perda, quer ter a mais impiedosa e vil capacidade, e por isso se vende e tem sua paga. Um conto que me agradou demais. De causar calafrios. 

Leona Volpe: “O Lago” 
Um conto atemporal como os contos de fadas, perdido na própria imaginação como uma fábula. Aqui, as atitudes daqueles que são diferentes no mesmo tanto que se parecem conduzem uma trama que mais parece uma história soprada pelo vento. Um conto muito belo e triste, onde a inveja não quer que se concretize e se tenha o objeto de desejo, e sim, apenas e puramente fazer com que deixe de existir. O conto que mais me fez refletir.

Maurício Pessoa Pecin: “O Veneno da Alma” 
Uma personagem feminina em busca da tão sonhada perfeição física vai ao extremo para consegui-la. Uma trama cruel e um caminho truculento e cheio de sangue marca essa jornada, de um modo que parece nunca findar, revelando ainda alguns segredos. Magia e a força demoníaca se manifestam por um final sem nenhum “final feliz”. Um conto onde só existe um vencedor, a própria inveja e sua manifestação. Um conto onde autopiedade, determinação e poder se unem drasticamente.

Alliah: “Fogo Negro” 
O simples momento de se degustar um chá se transforma no incrédulo. Um lugar pacato que esconde o mal onde e naquele que menos se espera. Uma história ornamentada que se passa em um único e derradeiro instante, sugando energia e derramando passado. Personagens profundos, únicos, inimagináveis com medos antigos e sentimentos confusos. Um drama tocante.

George Amaral: “Momentos Engarrafados” 
George Amaral nos leva a um ambiente comum, até mesmo pobre, cotidiano, poluidamente metropolitano em um prédio no centro da cidade, onde, o personagem principal se vê entre seu casamento que desaba por falta de carinho (mesmo que seus amigos o invejem) e um mistério nublado e vaporoso e úmido que os envolve. Aqui, a inveja é tanto um sentimento de foco, de único objeto de desejo, como por outro lado, um sentimento magnânimo, incontrolável como a cleptomania, que não tem destino ou querer próprio, ela apenas se manifesta, ganha força, agarra-se com tentáculos a tudo que vê e não pode ter. Um sentimento, não suicida, mas indomável, que prende em sua teia, todos, através de criaturas misteriosas que se confundem com lembranças de sonhos ou memórias apagadas. Um conto de cair o queixo. Inebriante e que segura-nos às palavras do começo ao fim. Este é, sem dúvida, meu conto favorito desta antologia.

Sheilla Liz: “O Fruto de Abarondê” 
Tendo como cenário uma tribo indígena, a mais remota das remotas, e colonos europeus, uma índia confessa seus atos, distribui sua culpa e sentencia seus sentimentos. Aqui, a busca pelo que é do outro, leva a personagem ao mais cruel ato que pela magia cria o seu desejo. A sentença é dada, mas o pesar recai sobre todos em um conto de ótima ambientação, repleto de dor, paixão e culpa. 

Ghad Arddhu: “O Obsessor no Caminho de Ígneo de Bodisatva” 
Uma escrita rebuscada, onírica, e cheia de artefatos cria esse novo mundo de energias, novos limites, luzes e sentimentos. Uma batalha tremenda, a epifania do herói e o caos. Elementos de um conto complexo, parte de um todo corrompido também pela inveja. O início de uma saga que tem como foco, aparentemente, mostrar o bem. 

Como conteúdo, este primeiro volume da série de sete livros intitulada “VII Demônios” trás uma coleção de contos de estruturas e escritas muito diferentes entre si, caminhando por estradas iguais ou paralelas desse sentimento. Uns, abusando de novas ou improváveis ambientações, outros trazendo diferentes inimigos fantásticos, alguns falando principalmente do humano, do frágil, e outros ainda, personificando o próprio Leviathan a seu modo. 
A leitura tem um grande peso reflexivo e alguns cantos inóspitos a serem desbravados – assim como Ana, do conto de Fabiane Guimarães, posso pensar diante a leitura "até onde me espelho?" – e então, mas apenas talvez, seja está massa carnal e instintiva a inveja: os cantos obscuros de nossa humanidade. Afinal, quem nunca a teve dentro de si, por mais remotamente que tenha sido, este pecado? E será que somo capazes de confessá-la, como a índia de Sheilla Liz, nos tornando nus perante a nossa imperfeição? O fato é que, muito provavelmente, a maioria de nós se contenha com tentar anular este sentimento, ou buscar sacia-lo de modo não tão sanguinário e cruel. Mas e nosso pensamento... nossos sonhos, até onde vão? Assim, esses contos escritos no passado, no presente, no futuro ou em qualquer tempo não nomeado, são esses deságues do que é muito mais humano do que se possa imaginar, se, por ventura, nos apropriamos em elucubrações do que seria capaz o demônio Leviathan ter criado. 

Já na parte física do livro, uma capa linda e forte, cheia de detalhes e densa e confusa abre essa coleção, com a primorosa diagramação da Ed. Estronho em um estilo que está tanto no velho, no delicado, quanto para o morto e o antigo. O detalhes são inúmeros e estão em cada pequeno espaço da diagramação cuidada e adornada.

No todo, através dessa seleção de textos, este livro é um amarelado (metafórico) de páginas que nos levam àquilo que nos é muito intimo e antigo, afinal, não foi o primeiro anjo que invejou o criador?

Mais sobre a série no link: Editora Estronho - VII Demônios.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Resultado "Paradigmas Definitivos" pode ser seu.

Olá pessoas

A primeira promo/concurso do blog chegou ao fim.
Apesar das poucas submissões, eu curti todos os textos, pois os achei bem diferentes uns dos outros, e me fez ver as várias possibilidades de se interpretar um tema, de maneira lúdica, poética, ou crítica.

Neste caso, para participar do concurso do livro da Tarja Editorial, "Paradigmas Definitivos", era necessário criar um pequeno texto com o tema ou a palavra "paradigma", a fim de que o organizador da coletânea, e editor da Tarja, e também autor, Richard Diegues, escolhesse um entre os enviados. Então, vamos a tal.

A vencedora foi Beatriz F. Bastos, com a frase:

"Estou cansada de uma sociedade cheia de paradigma para tudo. Onde está o chamado e tão procurado diferente?" 

E seguem as palavras do Richard sobre sua escolha.

"Explico: apesar de ter apenas duas linhas, elas vão direto no ponto: 'Onde está o chamado e tão procurado diferente?'. E justamente esse é o ponto de enfoque da obra: despertar de novo 'o novo', mas sem deixar de lado 'o velho'."

Então Beatriz, parabéns. Vou contatá-la para lhe enviar seu livro.

A todos que participaram, obrigada, e quem sabe, vem mais por ai.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

“Paradigmas Definitivos” pode ser seu!



Prorrogado até 15/10!!!

Paradigmas, altere-os ou reafirme-os.

Esta aspirante a blogueira (eu) tem muita preguiça (e nenhum tempo) para organizar promoções e concursos, mas como o livro em questão trata justamente dos lugares comuns da mente e da literatura - e como mantê-los ou como destruí-los -  porque não quebrar esse costume?

Estive no pré-lançamento do livro “Paradigmas Definitivos” da Tarja Editorial e adquiri dois exemplares do mesmo título (agradeçam ao meu acompanhante) e resolvi presentear alguém com um deles. O livro está novo, nunca foi nem folheado, e está pronto para ir para as mãos de um sortudo. Bom, não será bem uma questão de sorte, mas vamos lá.

Para participar do concurso é muito fácil, basta você deixar um comentário nesta postagem que tenha alguma referência ou que utilize o termo “Paradigma”, e seguir o blog. Pronto. Está feito.  
O formato e teor (obedecendo ao que está escrito à cima) são de livre escolha. Só precisa caber em um único comentário. Estão livres frases engraçadas, microcontos, minicontos, poesias, frases soltas... Enfim, o que desejar. Claro que também é permitido enviar mais de um comentário, só não pode dividir o mesmo texto em mais de um.

É imprescindível que o texto seja de sua autoria!

Só irão concorrer os comentários postados até o dia 13 de outubro de 2012.

Ao final do prazo, o organizador da antologia e editor responsável da Tarja, Richard Diegues, irá escolher o texto que mais lhe agrade, e então, publicarei aqui no blog o resultado.

Caso queira deixar seu twitter, facebook ou email no fim da postagem (para facilitar o contato caso seja o autor do texto escolhido) a produção agradece ;)

E boa sorte!


  ♠  ♠


Para conferir a resenha do livro registrada neste blog clique aqui "Resenha Paradigmas" 

Sinopse:
A palavra paradigma se origina do grego parádeigma, que em seu sentido literal quer dizer modelo, um padrão a ser seguido. Na literatura seria algo partilhado por diversos autores, como um fluxo de pensamentos que culmina em ideias semelhantes. É um termo complexo que aponta algo simples: os limites de um conceito, o molde para se manter dentro dessas balizas. A proposta da coleção é apresentar contos incomuns, mesmo que baseados em paradigmas consagrados.



quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Paradigmas Definitivos


Alterando as formas e moldes, reafirmando o humano e o irrefutável.

Editores: Gianpaolo Celli e Richard Diegues
Revisão: Camila Fernandes
Projeto Gráfico: Richard Diegues
Capa: Verena Peres
Diagramação: Richard Diegues
Vários Autores


Foi difícil imaginar o que a leitura de “Paradigmas Definitivos” me traria, e do mesmo modo, durante sua leitura essa incógnita se manteve presente.
Eu não li nenhuma das obras que antecederam a está edição definitiva, porém, qualquer pesquisa rápida ou até a apresentação do livro irá dizer que “Paradigmas Definitivos” reuniu os melhores contos das suas edições anteriores, “Paradigmas I, II, III e IV” junto a contos inéditos. Assim, essa chamada aumentou e muito meu nível de critério na leitura e, inclusive, agora enquanto escrevo essa resenha. 

Então, falarei primeiro da aparência do livro. A diagramação é linda, muito bem trabalhada, repleta de detalhes que até me lembraram um pouco o estilo barroco, cheio de adornos, mas nada disso deixou o livro visualmente pesado, podemos dizer que está no equilíbrio entre o necessário e o belo. A capa é fabulosa, e só da pra perceber sua grandeza com ela em mãos. As cores (adoro azul), os contornos, contrastes, o brilho é de uma peculiaridade e equilíbrio impecável.  Parabéns ao Richard e à Verena, é uma das mais belas capas que já vi, que instiga sem revelar, que provoca em alto nível, e hipnotiza sem que nos roube os sentidos.

A revisora Camila Fernandes também merece os parabéns à parte. Não só pelo bom trabalho, mas porque imagino como deve ter sido árduo zelar por estilos tão diferentes entre si, complicados ou simples, mas únicos.

Agora, aos autores e contos:

Cristina Lasaitis
Sinfonia para Narciso
Aqui, o irreal e fantástico parecem habitar o mundo dos pensamentos (racionais ou não). Um conto bastante intimo (em relação ao personagem) com coadjuvantes bem posicionados e muito atrás do protagonista, dando na construção do conto uma materialização da ideia de personalidade egocêntrica do personagem. Ele é mais uma passagem do que um acontecimento. Quase cotidiano e cheio de melodia.

Richard Diegues
Uma Flor a Gambô
Vindo do universo “Cyber Brasiliana”, romance do autor, é possível se confundir um pouco com as diferentes personalidades presentes. Porém, toda a preciosidade e cuidado e profunda construção se mostram presentes do começo ao fim. Um conto do tamanho certo para chocar e tocar em feridas abertas de hoje e que podem se manter para sempre. Aqui, a ideia de “paradigma” se desdobra, não sei se intencionalmente. Primeiro pois com a construção da história e finalização, ele causa uma real surpresa, que em verdade, sustenta um cruel mito à cerca de uma das doenças mais cruéis e que nos causam, como sociedade, ainda grande preconceito.

Alliah
Moleque
Já li outros contos desta autora em antologias que, inclusive, resenhei , são elas “Cursed City” e “Deus Ex Machina”. E quando me debrucei sobre “Moleque”, fiquei muito surpresa com o que li. Neste conto Alliah conseguiu unir com perfeição sua grande criatividade e construção ornamentada junto aos mais profundos sentimentos (e gigantescos erros) humanos. Ela construiu dois cenários surreais, profundos, escrotos e fétidos, junto à personagens fantásticos feito alegorias dantescas, desprovidos de suas máscara míticas e véus oníricos, e entregues à imundice física ou corrupta. E tudo isto acompanhando pela perda da inocência. Um conto de se aplaudir.

Jacques Barcia
Vento, Seu Fôlego. O Mundo, Seu Coração
Contos onde a ação predomina não são meus favoritos. Esse tipo de "batalha" muito bem detalhada, quase à exaustão, sempre me parece um capítulo de uma história maior, do que uma história completa. Mas deixando o gosto pessoal de lado, há aqui a personificação de eventos naturais em sentimentos humanizados, feito deuses. Na busca pela sobrevivência uma infinidade de pensamentos se somam, entre sacrifícios e outras escolhas. Repleto de referências indianas que enriquecem na forma e para quem os conhece, no entanto, aos mais leigos, resta procurar as fontes ou entender a historia pulando os nomes "complicados".

Saint-Clair Stocker
Kandahar
Uma atmosfera nostálgica com um fio de jovialidade constrói o cenário onde vive o personagem narrador (um tanto quanto inusitado) que nos conta sua uma breve história cheia de sinceridade e quase desdém, à cerca de curiosos fatos cotidianos, são a graça da narrativa. Aqui também é possível suspeitar que aquele que está em primeira pessoa é, na verdade, outro alguém. Imagine que você se passa por outro, e conta algo que aconteceu em sua vida, à partir do ponto de vista deste que você assumiu. Essa é, por sua vez, o tipo de ideia de quebra que faz jus ao nome da coletânea. Um conto lindo, meio romântico, eloquente, sinuoso, irônico, com requintes chaves de crueldade e arrogância. (Um dos meus favoritos).

Camila Fernandes
Em Berço Esplêndido
Dotada de uma escrita deliciosa dividida em dois tipos de narrativas que se intercalam, uma em primeira e outra em terceira pessoa, uma mais ritmada e poética e lúdica, outra em prosa, descritiva, porém onírica que, aparentemente, em nada se conectam. Falando sobre a que está em terceira pessoa, ela é quase uma aula de geografia sobre os arredores de uma cidade do interior. Uma descrição lírica e minuciosa muito semelhante à lembranças íntimas de um local querido. As palavras escolhidas tem brilho próprio dentro da composição. O final é belo e mágico, refletindo uma grande surpresa. Aqui a inovação e quebra de parâmetros como o que e como contar parecem ter norteado a obra. Fabuloso conto. (Também um dos meus favoritos).

Adriana Rodrigues
O Diamante Laranja
Este conto tem no ar o suspense digno aos mistérios policiais (de antigamente, vamos dizer assim), feito os que permeiam a obra de Agatha Christie, utilizando principalmente a astúcia para o final da investigação. Aqui, também, o mundo é um outro. A autora criou um universo paralelo regido por magia onde se desenrola o "crime" - que não é o foco da história -, e para não perder a dificuldade de solucionar o caso, ela anula essa mesma magia propositalmente. Os personagens são "personagens tipo" sem aprofundamento ou traços adversos de personalidade e atitudes, tendo fortes e poucas características pessoais. Um conto divertido, mas que não diz muito além disso.

Ronaldo Luiz Souza
Reminicências de um Mundo Verde
Aqui, história pessoal e mundial se mesclam em nostálgicas lembranças de um planeta já morto. O conto que nos é oferecido em dosagens de pensamentos cheios de curvas, conquista desde o principio. Do micro ao macro, é uma história de perspectiva, de pontos de vista e de seguir em frente. Um grande final e uma escrita primorosa, onde a importância dada, nem sempre, tem haver com o tamanho que possui.

Ubiratan Peleteiro
O Fazedor de Terra
Uma história tocante, daquelas que mudaram algo em mim, de dentro para fora. Para começar há a transformação constante de quem é (ou como é) o narrador. A cada momento uma pista é dada a fim de desvendar esse fato. Aqui, o autor traz uma organização tribal mantida por regras e paradigmas desse grupo. Todo o tempo ele contesta sobre os motivos de seguir convenções que deixam de fazer sentido com o passar do tempo e as mudanças inerentes a ele, em um lugar onde se respiram as injustiças, pelo ar da descriminação ou crenças infundadas. Há a dor dentro de um seio familiar, a apatia que opta por uma batalha já perdida antes de ser iniciada, e do outro lado, os desejos utópicos de um pensador revolucionário que busca mudar as falhas dos que estão ao se redor. Uma história linda sobre sonhos, e um cenário improvável. (Também entre os favoritos).

Flávio Medeiros
Efeitos Adversos
Outra história sobre pontos de vista, em que, um dia normal, tornar-se um aglomerado de mudanças, lembrando-me da obra “A metamorfose” de Kafka, porém, neste conto, de um modo mais veloz, explosivo e cheia de energia e agonia. A confusão que toma conta do protagonista chega a criar vertigens através das imagens narrativas onde o teor cientifico fica a cada momento mais latente. E quando finalmente acaba, é outra coisa e nada do que foi imaginado. O lugar é outro, o tempo é outro neste texto em que clímax e desfecho são apenas um.  A história cresce todo o tempo e de forma maravilhosa cumpre o que promete.

M. D. Amado
O Pão Nosso de Cada Dia
O conto curto, de narrativa direta feito um “pensamento matinal” é a chave para dar veracidade no que a história pede. O improvável, ou melhor, o bizarro e cruel aqui é parte de uma rotina simples e inabalável para o “narrador”. Encerra nos deixando com uma incógnita, mas não há mais nada além. É cru, simples e desdenhoso com as atitudes do personagem. Até assusta a simplicidade e "normalidade" da narração, diante o ocorrido e no faz engolir a constatação “é bem assim, mesmo”.

Ludimila Hashimoto
O Mágico
Misticismo e vida extraterrestre se confundem, da mesma forma que fantasia e cotidiano se encontrarão.  Ele flui de uma maneira um tanto entroncada, muito mais pelo vazio da vida fútil da personagem principal do que pela escrita. A autora tece a história sem que se saiba para onde vai ou o porque é contada, mas o final é surpreendente. Como se uma única peça de um jogo de quebra-cabeça fosse o suficiente para dar a luz ao sentido de todo o enredo.

Sandro Côdax
Barquinhos de Papel e Outros Origamis
Aqui o autor nos fala sobre paredes. As barreiras da mente (e do medo), que nos fazem erguer muros concretos. O conto demora um pouco para surtir efeito no desenrolar das frases, mas ganha no que toca o sensível, perante a solidão e o inevitável. A história amadurece com o personagem. De uma beleza singela e triste, reflete sobre o destino, consequências, passado e o “eu interior”.

Gianpaolo Celli
O Cavaleiro e o Senhor do Inverno
Um conto que começa muito rápido – causou-me certo incomodo inclusive -, e da mesma maneira ele nos ganha pelo “interior”. É quase sensorial sua absorção de tal forma suave que  a aventura “cavalheiresca” é desenvolvida. Quase um conto de fadas, deixando dentro de nós uma espécie de semente mágica, plantada na memória. O final explica o começo rápido e um tanto improvável, amarrando qualquer ponta solta que tenha ficado no caminho.

Alexandre Heredia
O Cegonho
Se eu pudesse, ou fosse menos educada, começaria a falar desse conto com um palavrão (aquele repleto de pontos de exclamação no final). Ele é simplesmente incrível. Escrito feito uma conversa, frase após frase, surge uma história maluca e surpreendente. Aqui um grande segredo rege a narrativa que é contata muito naturalmente de um personagem ao outro, sem arabescos parafraseados ou metáforas, nem mesmo preparação para o leitor ou o personagem ouvinte.

Leonardo Pezzella Vieira
12 Vidas
É aquele tipo de história que quebra todas as barreiras e formas imagináveis. O cenário é único, com certo ar de incredulidades simplistas e casuais (sim, é dúbio, eu sei). Todo o conto parece ser um cotidiano improvável e estranho. Os personagens, moldados também pelo cenário, são pessoas comuns vivendo sob a influência de raros acontecimentos que nos despertam para muitas possibilidades de vidas possíveis, diferentes da nossa, sem que se anulem. A narrativa quase casual é o toque perfeito.

Rober Pinheiro
De Traição e de Sombra
Um conto de ação, de sensações extremas à flor da pele, onde a história divide-se (ou se constrói), entre sangue e luta. O “spin-off”, como diz o autor, é incrementado por nomes de um universo muito maior. De narrativa detalhada e primorosa, fala sobre demência e ambição.

Carlos Abreu
A Tal Aranha-da-Lua
Noir. Essa palavra na descrição sempre traz um sentimento de diferente, fora do padrão, feito um cheiro agridoce. É feito um dia cotidiano, em um lugar único, tanto mágico quanto trágico e farsesco. A narrativa é excelente e mesmo sem surpresas no desfecho, o desenrolar dos fatos, o como é feito, e o meio pelo qual o conto vive, é apaixonante. Um conto que fala muito mais sobre a passagem, do que sobre o fim, e particularmente, eu gosto.

Gabriel Boz
O Deus de Muitas Faces
Um dos melhores contos. Narrativa bem construída, amarrada, cheia de apreensão e tensão, tocando assuntos sérios como o poder e sua sucessão, revelando que toda a força está no conhecimento e no esforço. Do mesmo modo também cria (denuncia) a lógica de que, através do domínio do conhecimento guarda-se o privilégio da liderança e “status”. Aqui, a fantasia está muito próxima da religião com direito a adequação de caráter.

Bruno Cobbi
O Mendigo e o Dragão
O ponto forte do conto é a alteração de estilos de narrativas presentes, discriminando cada personagem. A história é contada sobre diferentes pontos de vistas, e a soma deles é que diz ao que ela veio: uma fantasia incluída na imundice social de drogas, corrupção, polícia, politicagem e justiceiros. Ação todo o tempo em uma trama bastante policial onde o lado bom e ruim se chocam, misturam, ou buscam controlar, tanto de dentro pra fora, como de um lado ao outro.

Hugo Vera
O Homem Bicorpóreo
Interesses políticos de uma super potência, uma antiga colônia que agora, coloniza. Um tempo novo tendo Marte como pátria, onde ciência e religião se confundem e se mesclam com o propósito – articuladamente – econômico. Uma grande verdade em um texto redondo, garantindo que não importa o local (mesmo no espaço) ou o tempo, o mal do homem não muda.

Viviane Yamabuchi
De Vento e de Pedra
Uma história de amor, repleta de metáforas, contada com a leveza de uma fábula. Porém, a parte negativa é que é frequente a repetição de situações, tornando cansativo o que teria um efeito até mais positivo, ao ir direto ao ponto. Não há muito cuidado com as palavras e frases curtas sentenciam, uma atrás da outra, ideias repetidas. O contexto melancólico é belo e tocante, mas a autora poderia ter explorado melhor o que ela desejava dizer e as mudanças de cada personagem, se tivesse poupado os círculos de ações.

Osíris Reis
Queda
É muito bom quando um livro acaba assim. Com chave de ouro. O verdadeiro “Gran Finale”. Apesar de não ser fã de contos que são basicamente a descrição de uma batalha (já disse isso nesta mesma resenha), devo confessar que este é fabuloso. Repleto de cenas que hipnotizam do começo ao fim, ele levanta polêmicas, traz amores e relações improváveis, e também homossexuais, sexo, magia, a força da natureza, nascimento, garra, religião, hipocrisia, dominação, machismo, fé, e tudo de um modo único, surreal, alucinado e frenético. Deixou-me de queixo caído. (Com certeza, entre meus favoritos).


Perspectiva geral:

Há contos maravilhosos, e outros, muito bem escritos, e alguns que não chegam.  Mas visto que em uma antologia composta de diferentes autores, o gosto pessoal influencia muito a pender a afeição mais pra um do que para outros, isto não chega a ser uma problemática para a leitura de "Paradigmas Definitivos".
Porém, a quantidade de contos foi um agravo para levar a leitura ao término, principalmente porque a maioria dos autores tem estilos peculiares e muito diferentes entre si, assim, demora-se certo tempo para compreender e “pegar o ritmo” de um, e quando isto é conseguido, outro totalmente diferente lhe é apresentado, e é preciso então esforçar-se ainda mais um pouco para ler as notas deste outro tipo de compasso. Com cuidado, preferi adiar a leitura do que, por dificuldade, desmerecer a obra de algum dos escritores.
Este livro, me soa então, não só como uma quebra de barreiras ou reafirmações de pensamentos dentro da literatura, no desenvolver de uma história, mas também, na capacidade de conduzir e contar e fazer ganhar forma de inúmeras maneiras possíveis, sendo tanto através de metáforas, de rearranjos de palavras chaves, de perspectivas diferentes, de imagens surreais e improváveis nos levando a um devaneio energético e fora de qualquer padrão.
Não é uma obra fácil, e nem para leitores iniciantes. E sim, ao meu ver, um livro para quem gosta do exercício de leitura, do desafio que pode ser desvendar a ideia de um outro (muitas vezes um estranho) através de peculiares sinais (os mesmo que agora digito, e serão lidos). São estruturas de um código que pode ser remodelado ao bel prazer de quem o domina (ganhando êxito ou não), mas que a busca de fazê-lo, por si só, já é o que mais vale.
Caso, aqui, esse exercício de ler seja realizado junto ao da reflexão, é impossível sair deste livro vendo o mundo e a própria literatura da mesma forma. Um livro que abre horizontes aos autores e aos leitores.
Um livro de imagens, de poesia, para amantes da arte e da leitura, mas que precisam de, se não bagagem, ao menos, muita vontade de compreender cada linha e entrelinha desse projeto.



segunda-feira, 27 de agosto de 2012

A Morte é uma Serial Killer - Ilustração

Hoje a Editora Estronho anunciou a capa aberta do próximo romance de nossa querida portuguesa Valentina Silva Ferreira (se você não conhece seu romance de estréia, clique aqui “Distúrbio”). A autora, que também participa de inúmeras antologias com suas palavras precisas, e de teores fortes, está sempre disposta a provocar questionamentos (ou no mínimo, um grande incomodo), nos tirando de nosso lugar de conforto.

E dessa vez, eu tive a hora de criar a ilustração de capa e quarta capa, dando vida a uma ideia muito peculiar e nova da equipe da editora. 

Como regra, nada dos clichês preto/vermelho/preto(preto/preto/preto!) presentes em livros de terror. E cá entre nós, olha a Estronho apostando no diferente outra vez. 

No entanto, não vou compartilhar o processo com vocês, mas quem sabe, em algum outro momento. ;)

Deixo-os com a capa aberta pronta, já com o acabamento primoroso do M.D. Amado, e que possam se perguntar, o que há por trás desse portão? 



Mais informações, é só acessar:



quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Fúria Lupina - América Central: Ilustração e Apreciação

Era para serem dois “posts”, e não este apenas. Mas não há modo de separar, honestamente falando, os dois elementos que desejo escrever: a produção da ilustração de capa e interna deste livro, e também as impressões durante a leitura.

E, para ficar menos cartesiano, vou começar pela “Apreciação”. Não posso fazer resenha, por ter interesse na difusão do livro, então vou chamar de apreciação e ninguém irá ligar hehe. 

A leitura


Autor: Alfer Medeiros
Design de Capa: Silvio Medeiros
Projeto Gráfico: Alfer Medeiros, Silvio Medeiros, Rochett Tavares
Revisão: Adriana Cabral
Ilustrações: Carolina Mancini (eu ^^)
Impressão: Edirora Literata



O livro “Fúria Lupina – América Central”, do escritor e amigo Alfer Medeiros (dono de uma livraria bem bacana que você confere aqui: Livraria Limítrofe ) vem dar sequência ao universo e alguns personagens criados no seu romance de estreia “Fúria Lupina – Brasil”, porém não é uma continuação. Cada livro encerra sua trama em si, então, por mais que seja cronológico, você pode ler em qualquer ordem, não tem problema. Vai entender tudinho, e se arrepiar da cabeça aos pés.

Diferente do livro 1 (porque não vou ficar escrevendo o nome dos dois livros toda hora), onde, junto a violência, sangue e aventura, havia a descoberta de incríveis criaturas míticas e muito espaço para apresentar as diferentes espécies de homens-lobo, provindas de lendas de todo o mundo, no livro 2, o drama passa a ser desenvolvida no submundo do crime, com espaço (e muito espaço) para drogas, prostituição, corrupção e etc, e ainda enfrentar “... lobisomens arredios e violentos, que renegam o nobre comportamento dos lobos e deixam vir à tona o pior da natureza dos homens” (nota retirada da quarta capa).

A história, um tanto entrecortada, é fascinante, ela te envolve primeiro, e te explica depois, bem depois mesmo! Dando apenas, hora ou outra, algumas dicas ao leitor mais atento. Também vale ressaltar uma grande sacada, pois, por mais que existam trajetórias individuais, aqui isto não é o foco, você deixa de ver “o” personagem, para entender e torcer “pelo grupo”, onde tudo se amarra e cada atitude, mesmo encabeçada por líderes, é uma ação de um só corpo, a verdadeira alcateia e seu sentido de unidade. Fabuloso. 

A leitura é rápida e dinâmica, é como se existisse um campo gravitacional sugando inúmeros elementos, amarrando-os, concentrando-os no que importa de fato. E sempre mais, e mais surpresas. 

Para encerrar está pequena, mas cheia de satisfação, apreciação de leitura, quero registrar que os novos personagens, aqueles que não estavam no livro 1, ganharam-me desde o início.
Ah! Dr. Glendon – o caçador de El Lobo – se passar por este blog em algum momento, saiba que sou sua fã! 

(e vou parando por aqui, pois logo virá resenha crítica mesmo!)


O trabalho

Ilustração interna.
Como ilustradora, eu fiquei muito contente de fato. Já havia me deslumbrado com a diagramação por conta do Silvio Medeiros e do Rochett Tavares, que deram um toque extraordinário ao livro, fazendo-me sentir parte de uma equipe muito séria e apaixonada por esse universo, do Fúria Lupina.

E então, depois de passear pelo trabalho já pronto, foi difícil não ficar emocionada – Ainda por cima, com uma surpresa do autor, bem espertinho ele, mas você tem que ler para saber. 

Quanto ao processo, foi uma experiência difícil inicialmente, mas que hoje, posso até dar risada. Quando o Alfer me chamou para a ilustração – que eu topei depois de dar vários pulinhos de alegria que, graças a deus, ele não viu, já que conversávamos pela internet – tinha algumas ideias, mas, cá entre nós, no fundo, quanto mais testávamos as possibilidades vislumbradas até então, mais frustrada eu ficada. Até que chegamos ao que imaginávamos ser, o correto, mas que não passava do óbvio. Era um mapa, roto e repleto de sangue, porém, por mais que eu mudasse, alterasse, refizesse, nada dava certo e eu não me convencia do trabalho. Foi quando um amigo design e professor - e muito genial - me de uns puxões de orelha. Amigo bom é assim, ele te faz pensar, pensar, pensar, até que você veja que está tudo errado, e nesse caso, o “tudo” tinha muito mais haver com a proposta do que com a execução. Assim, conversei com o Alfer sobre muitos conceitos que eu, preguiçosamente, havia esquecido, e que esse meu amigo fez com que retornassem à minha mente. Então, concordando que tudo precisava ser revisto, tiramos uma folguinha – eu tirei – da ilustração, e voltei com outra ideia.


Dante e Nazaré - Esboço dos personagens

Depois desse tempo, apresentei a nova proposta rascunhada ao Alfer. Ele sugeriu algumas alterações, e aí sim, o trabalho efetivo começou. E com a nova forma, mais limpa, mais subjetiva, menos explicativa, acredito que conseguimos passar algo além do título, um outro “que” que chame o leitor, além do que já é explicitamente dito como "fúria", "lobisomem", "América Central". (Eu espero, do fundo do coração, ter conseguido fazer isso), e que os fãs de lupinos me perdoem por ter escondido a brutalidade, as garras e as presas, tão características dos homens-lobo. 

O resultado é o que vocês já viram. Espero que tenham gostado – do post e da ilustração – e que apreciem muito mais o texto.

O livro “Fúria Lupina – América Central” foi lançado na Bienal do Livro de SP, deste ano. 
E para mais informações sobre ambos os livros deste universo, e outras cousas “licantrópicas” visite o site furialupina.blogspot.com.br


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