quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Um Peixe de Calça Jeans – E outras histórias para unir.

Histórias infantis contra a discriminação.

Autor: Allan Pitz
Editor-responsável: Zeca Martins
Projeto gráfico: Estúdio Criare
Controle editorial: Bianca Lucinda Gonçalves
Diagramação: Estúdio Criare
Capa: Zeca Martins
Revisão: Raquel Benchimol (coordenadora)
Editora: Livronovo



Idéias não passam de idéias, o que faz ela se tornar algo bom ou ruim, ou é a capacidade que ela tem de dialogar com o restante ao qual ela se destina, ou é claro, sua execução. Assim é em qualquer ramo, com qualquer tarefa. Vemos grandes possíveis inovações serem feitas com pressa que acabam por não serem efetivas em relação à proposta de quando foram concebidas. Outras idéias, porém, são criadas tão exaustivamente sozinhas, que viram um monólogo frio e que não chegam ao receptor da “tal idéia”, com efeito. Ou ainda, aquelas que os intermediários da idéia parecem não entendê-la em seu âmago ou simplesmente não se comprometem com a causa. De todas as maneiras, idéias são apenas idéias e precisam de ferramentas, preparação, pesquisa e muito trabalho para tornarem-se algo real e palpável, mesmo que palpável seja uma boa construção desta própria idéia em palavras e imagens.
Daí, fazer um livro que combata o bullying cativando de maneira sensorial, através do subconsciente e depois do consciente fazendo com que crianças aceitem suas diferenças, é apenas uma idéia.
O livro infantil em questão é um que, só pelo título, me deu uma incrível vontade de ler. E esperei bastante para sanar minha curiosidade.
De fato, ele é fortemente direcionado à educação (que pode ser intermediada não só por professores, como que pelos pais), tendo inclusive em seu início um esquema de perguntas e respostas de como utilizar o livro. E também, uma explicação do próprio autor que sofreu de bullying quando criança, que seria de onde surgiu a idéia de escrever este livro.
Porém, tantas explicações iniciais já modificam para quem o livro se direciona. Assim, fica claro que quem deve lê-lo são pais e professores, e não crianças.
Outro fator que distância o livro “objeto” das crianças é a diagramação. O mesmo peixe da capa é repetido em preto e branco antes de cada uma das cinco histórias, trazendo consigo os títulos em tons de cinza.
A diagramação também trabalhou com uns três tipos de fontes, que se alternam de uma história para outra. O que sinceramente eu não entendi.
O livro físico não condiz com o conteúdo dos textos que são leves, rápidos, e, ao que parece ser o melhor do estilo Allan Pitz.
Como exemplo, na parte de “perguntas e respostas”, depois de questionar como o livro ajudará a combater a violência e discriminação, vem escrito o seguinte:
“A tônica é simples: Ensinando quase subconscientemente, trazendo histórias ilustradas assimiláveis que conduzam a criança (...)”
Bom, não há ilustrações, há apenas a repetição da imagem da capa.
Mas, falando sobre a capa, ela é realmente linda. Representar o peixe de madeira com o toque do bolso em jeans e a leveza do fundo branco e as letras trabalhadas na palavra “Jeans” é de muito bom gosto e sutileza. O erro, realmente, foi repetir a imagem na parte interna.
Pode parecer dúbio, mas gosto da maneira que Allan Pitz escreve. Seu estilo direto e peculiar está presente nestes textos infantis com metáforas muito bonitas, exaltando diferenças como algo normal e até necessário, trazendo um individualismo que permite justamente entender a diferença de cada um, trazendo assim respeito e união. Sou já quase fã deste autor (preciso ler outros escritos) que me surpreendeu com os textos infantis.
Mas, como uma obra completa, deixou a desejar. Não pela capacidade do autor, mas sim pelo fato de um livro infantil (mesmo que seja para um adulto ler para a criança), ter deixado faltar o quesito encantamento. Faltou cuidado e capricho nas internas. Tranquilamente consigo imaginar mil possibilidades de trabalhar com imagens, até mesmo em preto e branco, que fariam mais jus ao talento do autor e não encareceriam o livro.
Acho que o autor deve repetir a temática, mas exigir mais tato na hora da publicação.

2 comentários:

  1. Resenha excelente!

    Concordo com a questão do encantamento, faltam imagens, na verdade o livro foi construído para receber ilustrações. Acabou saindo numa espécie de teste de mercado que durou tempo demais. Agora, para 2012, a segunda edição sairá ilustrada e com mais uma historinha para unir.

    Muito obrigado, Carol. Comecei o meu dia bem feliz!

    Abração,

    Allan Pitz (preciso enviar o Estação e A Arte para você, faço questão)

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  2. Fico contente que tenha gostado e entendido meu ponto de vista, e vou esperar para ver a nova edição.

    Allan Pitz, vou adorar ler esses outros livros.

    Grande abraço.

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